quarta-feira, 2 de novembro de 2016



Certo dia acordei com o suor descendo pelo meu rosto e ensopando minha camisa. Me sentei na cama dura como pedra pensando em como minha cama havia endurecido em algumas horas. Esperei meus olhos se acostumarem ao breu do quarto e logo o que eu desconfiava se confirmou.

Não era meu quarto.

Me levantei e logo que meus pés descalços tocaram o chão senti o áspero piso de cimento, tomado por poeira e sujeira. Levantei os pés rapidamente e procurei por um chinelo, brigando com a escuridão.

Me levantei e procurei por um interruptor, mas em vão. Apesar de já estar enxergando alguns contornos, ainda estava muito escuro e aquele quarto era completamente novo pra mim, eu nunca havia estado nele.

Tentei abrir a porta e descobri que estava trancada, logo comecei a ficar realmente assustado, com o coração na boca. Pensei em gritar pela minha mãe ou pelo meu pai, mas antes mesmo de gritar por ajuda eu já sabia que eles não iriam me escutar, não ali.

Sentei no chão, já não me importando com a sujeira e comecei a chorar, chorar como um bebê, tinha o direito disso, afinal, ainda não havia completado nem 14 anos.

Mas, na verdade, o pânico de verdade ainda não havia batido, mas não tardou. Bateu quando eu estava ainda sentado chorando como uma garotinha, bateu quando eu passei a mão pelo rosto para secar o olho e senti a pele um pouco mais áspera, quando passei a mão pela cabeça e não senti meus cabelos ondulados, senti apenas um cabelo rente a cabeça e quase tão áspero quanto o chão. Abafei um grito. Eu era outra pessoa, ou melhor, estava no corpo de outra pessoa.

Isso já havia acontecido comigo algumas vezes, mas eram apenas flashes rápidos e incompreensíveis, nunca era nada como o que eu estava vivendo. Algumas pessoas acreditam que isso é um dom espírita, mas eu não acredito muito nessas coisas.

Me levantei e respirei fundo, tentando não entrar em pânico. Encontrei alguma coisa pontuda no chão, um pedaço de arame, imaginei, e sabe-se lá como consegui abrir a porta.

A claridade do outro cômodo me cegou por um momento, mas logo percebi que alguma coisa estava errada, eu não estava no meu tempo, no meu ano, talvez nem no meu século. Eu estava em uma casa antiga, parecia largada haviam anos, estava tudo empoeirado e o chão já havia ganhado uma segunda camada, esta de poeira.

Fui até um espelho enorme que estendia-se até o teto, sobrepondo-se a uma mesa com algumas fotografias de uma jovem branca com um filho de colo, depois essa mesma jovem pra lá dos quarenta anos com um rapaz negro e alto e no final da mesa apenas ela sentada em uma cadeira alta e com uma expressão extremamente triste no rosto. Mas o que chamou a minha atenção foi o meu reflexo escuro no espelho após eu jogar a poeira pro lado com a mão.

Eu era um garoto negro, com cicatrizes em toda a extensão do rosto, olhos inflamados (que só começaram a coçar depois que fiquei sabendo que estavam inflamados, incrível como é nosso cérebro), e uma orelha faltava um respeitável pedaço.

Mas não me demorei muito naquele reflexo, meus olhos foram parar na mesa, atrás das fotografias empoeiradas, em um diário de couro gasto e com um pedaço de papel pardo saindo pra fora. Abri o livro e percebi que o papel pardo era uma notícia recortada de um jornal antigo. Li rapidamente o título e o primeiro parágrafo da notícia:

"Negro é preso após assassinato de recém nascido"

"Brad Rockerty, 26, foi preso após confessar assassinato de Dollis Crossaint, 2 meses de idade, e tentativa de assassinato de Bella Crossaint, 22 an..." O restante do jornal estava rasgado.

Voltei minha atenção para o diário, onde frases desconexas foram escritas em letras rabiscadas:

"Encontrrrei B"

"D bem dorme muito"

"b está apanhando como um porco q é"

"b n vai cresser d nv n vai b criança"

"pretos morrem assaçinos"

"d está uma grassinha q amor"

Fechei o diário com repulsa, achando aquilo doentio.

Olhei ao redor da casa e percebi que havia uma porta que dava para a cozinha. Andei cautelosamente até lá e logo ao entrar senti o cheiro de podridão vindo de panelas há muito não utilizadas e nem lavadas, havia restos de comida pela mesa e pela pia. Me virei rapidamente para sair da cozinha, mas parei com um barulho que me causou arrepios, era um barulho rouco, próximo de choro e vinha de trás da porta do outro lado da cozinha. Abri a porta e ela rangeu em protesto, fui engolido pela escuridão e o cheiro de mofo.

Fui até a sala e peguei um lampião a gás que me lembrava de ter visto um tempo atrás. Voltei até a cozinha e percebi que o caminho que se estendia pela porta era uma escada longa e funda. Desci com cuidado e me dei parado de frente a uma porta de ferro, era dali que o som havia saído minutos atrás, havia alguém ali.

Se eu estivesse com a cabeça no lugar, teria percebido que a porta estava trancada por fora, mas não prestei atenção nisso, apenas abri a corrente e entrei. Passei direto pela porta e levantei o lampião e com o canto do olho vi uma cadeira de balanço com uma senhora. Me aproximei cautelosamente.
"Ola?! Senhora Crossaint?"

A senhora se balançou num esgar que pretendia ser um riso, que na verdade se transformou numa tosse carregada.

"Olha minha quer...rrida. Parece que o senhor Br...Brad veio nos visitar".

Ela olhou pra cima e deu um sorriso, expondo dentes podres e escassos. O riso se transformou numa gargalhada e logo depois em um acesso de tosse.

"Como ousa sair do seu quar...quarto seu preto imundo?" ela gritou "olha o que você fez com a pequena Do...Dollis!"

Foi tudo muito rápido, me lembro de ter caído no chão e batido a cabeça, mas antes de desmaiar me lembro daquela visão terrível. A velha senhora Crossaint levantou o que um dia foi sua filha, agora já em estado de decomposição completo e restando praticamente apenas os ossos. Depois disso apaguei.

 Acordei um tempo depois com uma dor insuportável concentrada na parte de trás da cabeça. Mas quando acordei eu não era aquele pobre menino que havia sido pego por uma mulher que há muito já havia perdido a sanidade e o feito de Brad Brackart apenas por ser negro, eu não estava naquela casa assustadora, eu era apenas Daniel Alphonse, um garoto de 13 anos. O que sempre me passa na cabeça é se aquilo foi real ou apenas um sonho.

Apesar dos anos passados, eu nunca procurei saber se em algum lugar do mundo alguma Bella Crossaint existiu. Depois daquele dia, não tive mais sonhos em que eu me encontrava no corpo de outra pessoa e agradeço por isso.

Talvez eu jamais deva saber se aquilo realmente aconteceu, a linha entre a sanidade e a loucura é bem tênue e eu não quero coloca-la à prova.

harmonia corporal

terça-feira, 1 de novembro de 2016



Algum ente querido seu já morreu?

Você conseguiu dizer-lhe adeus, ou já era tarde demais? Aqui está um meio de se comunicar com um de seus parentes mortos; talvez o seu avô? A sua mãe? O seu pai? O seu filho? A sua filha? Bem, você o conseguirá, mas tome cuidado, pois estará brincando com forças das quais não se pode controlar.

Vá até o cemitério onde o seu ente querido está enterrado exatamente às 04h00. Você deverá ir até o túmulo onde este parente está enterrado. Para a sua própria segurança, permaneça quieto no caminho até a lápide. Aproxime-se do túmulo, certificando-se de não usar ferramentas que emitem luz, e apesar da escuridão, tente se esforçar ao máximo para conseguir enxergar durante a caminhada. Você deve aproximar-se da lápide lentamente, ficar de joelhos, fechar os olhos, e cantarolar estas palavras:

"Obsecro autem vos de Sepulchro tuo".

"Ex aeterna tua somnus."

"Aperi oculos tuos et animo purgabit."

Mantenha os olhos fechados, e em dois ou três minutos, você vai sentir algo tocando o seu braço. Não tenha medo e nem abra os olhos. Ele não gosta de ser observado. Depois do ser soltar o seu braço, aí sim você poderá abrir os seus olhos. Você vai ver o seu ente querido sentado nos próprios joelhos. Ele estará como você se lembrava dele. Infelizmente, os seus olhos terão desaparecido completamente.

Para iniciar a conversa, você deverá perguntar "Como vai você?"

A única coisa que ele vai responder é "Eu vou bem, e você?"

A única coisa que você poderá dizer é "Eu também vou bem, obrigado."

Qualquer outra resposta irá desagradá-lo. Se você disser mais alguma coisa, ele desaparecerá, ou cortará a sua garganta. Depois disso, ela ou ele vai perguntar: "Posso te abraçar?". Não responda. Se você disser que sim, ele vai te agarrar pela sua perna e arrastá-lo com ele para toda a eternidade. Se você disser que não, ele vai ficar visivelmente descontente. Neste momento, ou ele te encarará, cortando sua garganta em seguida, ou simplesmente retornará, indiferente, para o seu túmulo.

Para evitar isso, você deverá dizer: "Eu gostaria de falar com (o nome do morto)". Diga isso em tom firme, mas seja cauteloso, você não quer deixá-los com raiva, quer? Neste momento ele balançará a cabeça, e você deverá fechar os olhos; mais uma vez você vai sentir um toque, mas não será o mesmo toque – será um toque bastante... familiar. Agora você poderá abrir seus olhos. Você vai ver a mesma pessoa que viu antes, mas desta vez, será realmente o seu parente falecido. Não o filme ou tente levá-lo para fora do cemitério. Qualquer um destes atos terão resultados muito desagradáveis. Além disso, não traga ninguém com você; vá sozinho. Agora você poderá falar com o seu ente querido como você se lembra dele. Agora você poderá enfim lhe dizer adeus, ou até mesmo perguntar o que sentiu enquanto morria. Se você quiser terminar a conversa, tudo que você precisará dizer é "Adeus (nome do indivíduo), espero vê-lo em breve". Neste momento você deverá fechar os olhos mais uma vez.

Quando você os abrir, ele já terá partido. Qualquer outra tentativa resultará nele não escutando, para em seguida perseguir você até o lado de fora do cemitério, te assassinando brutalmente.

Não chore quando ele se for, ou seus murmúrios serão ouvidos por eles em breve

falando com os mortos

domingo, 30 de outubro de 2016

Dark Ghost




"Tudo aconteceu quando eu tinha cinco anos, meus pais decidiram se mudar para a nossa casa própria.

Todos nós estávamos muito felizes, conhecemos muito terrenos e um dia papai chegou dizendo que achou o perfeito.

No sábado fomos visitar o tal terreno, era enorme. E ficava num bom bairro. Seguro e todos se conheciam, era perfeito para nossa família pequena.

Eu gostei do lugar, era imenso! Eu poderia brincar em todo esse pátio. Muito melhor que nosso pequeno e limitado apartamento alugado.

Mas o lugar estava abandonado fazia anos, a grama devia ter uns 1,30 ou mais de altura, e eu sempre fui pequena. Então meu pai me levou nos ombros.

Tinha uma pequena cabana de madeira rústica, sem nada, nem móveis. O cheiro era horrível, mofo e algo podre. Tinha uma única sala e um quarto, pois tinha um até então desconhecido beliche de madeira podre com colchões manchados de algo preto.

Me lembro, que eu era uma criança curiosa, e logo subi no beliche. Minha mãe me puxou na hora e me tirou de lá brigando comigo.

Tinha uma coisa que eu me lembro muito bem da minha mãe, ela sempre parecia saber de tudo. Como uma vidente, e ela não gostava de um pouquinho de certas coisas que eu falava. Isso sempre foi uma curiosidade minha, como ela sabia de tudo isso?

Eu fiquei emburrada, e fui dar uma volta pela cabana, estava muito escuro. E a porta aberta não iluminava tudo.

Eu tinha achado uma espécie de porta secreta, quando meu pai me puxou dizendo que achará algo muito legal ali para mim.

Eu esqueci da tal porta na hora, e fiquei perguntando o que era, até ele me entregar um pingente velho de metal. Era uma estrela, bem simples.

Mamãe prometeu que iria limpar e eu poderia usá-la. Fomos embora e papai nos levou em um restaurante, foi um dia agradável aquele.

De noite eu saía do banho, quando mamãe me mostrou o pingente, agora numa corrente de prata que ela tinha.

Era lindo, e parecia novo. Eu quis usá-lo na hora, e nunca mais o tirei.

Alguns dias depois compramos o terreno, e começaram a construir a nova casa. Foi um rebuliço na época, fazia muito tempo que ninguém se mudava para aquele bairro, e também ninguém sabia a história daquele terreno.

Nos mudamos para lá, a casa tinha três andares, meu quarto ficava no segundo. Eu amava aquela casa, era um sonho para mim. E naquela época nossa família estava enriquecendo e eu ganhava muitos presentes.

Eu não gostava muito de ganhar tantos brinquedos, eu não tinha com quem brincar. Meus pais passavam o dia inteiro trabalhando e eu ficava com a babá, que era uma senhora chata.

E naquele bairro não tinha crianças com a minha idade, na verdade todos tinha de dezoito para cima. Eu ficava sozinha muito tempo.

Algum tempo depois do meu aniversário de seis anos, um amigo de meu pai tinha uma neta que vinha aos verões ficar com ele e a avó.

Nos tornamos amigas na hora, e todos os dias desde cedo brincávamos e as vezes passávamos a noite na casa da outra.

Eu tinha começado a estudar e tinha amigas, minha vida era mais alegre. Mas quando eu fiz oito anos a felicidade acabou.

Meu pai acabou por fazer uns negócios escondidos e como seguro estava nossa casa. Perdemos nosso único bem precioso e a família se afundou em dívidas, na mesma época que minha mãe perdeu o emprego.

Eu sempre me lembro das discussões dos meus pais, que as vezes meu pai batia em minha mãe e se eu vinha defende-la apanhava também.

Acabamos ficando na casa, agora sob aluguel. As brigas acabaram, ou eles brigavam sem que eu visse.

Mas mesmo assim já era tarde, às vezes conflitos familiares poderiam acabar com uma criança, era o que os médicos diziam e foi exatamente o que aconteceu comigo.

Eu perdi amigos e tive que trocar de colégio, uma total desconhecida em um lugar diferente. Eu não conseguia fazer amigos, e sentava no fundo da sala.

Às vezes eles me trancavam na sala de aula, e só me tiravam quando a segunda turma vinha estudar. Outras eles batiam em mim, tacavam bolinhas de papel e pedras, e me derrubavam.

Minha mãe sempre me perguntava o por que dos meus ferimentos e eu mentia que eu me machucava brincando.

Então comecei a usar roupas escuras e largas, para esconder meus hematomas, machucados e que eu tinha anorexia.

Eu procurava maneiras de me distrair sozinha, já que minha única amiga. A neta do amigo de meu pai também chamada de Anna acabou por ir para o meu colégio. E ela ficou popular, então para que ser amiga da estranha e perdedora do colégio?

Quando fiz treze anos, tudo mudou drasticamente. Fazia alguns meses que mamãe voltará a trabalhar e me deu um celular para nos comunicarmos.

Eu colocava músicas e escutava enquanto escrevia em meu fichário. Eu sempre gostei de escrever sobre mim, mesmo que minha vida fosse horrível.

Logo comecei a ter pesadelos com um garoto misterioso, eu nunca me lembrei de fato os sonhos ou o nome do garoto. Mas eu lembrava dele: olhos verdes intensos, pálido como papel e alto.

Fiquei espantada, eu tinha imaginação para esse tipo de sonho? Logo comecei a escrever sobre isso e desenha-lo.

Mas tudo piorou, comecei a vê-lo em todo o lugar! Nas aulas, colégio, em casa! Em todos os lugares.

E ele nunca fala comigo, apenas me observa. Eu tento falar com ele, mas nunca obtenho uma resposta.

Acho que estou completamente louca!

Aguentei meu observador por semanas, até que as poucos ele parou. Nunca fiquei tão feliz.

E aos poucos esqueci de tudo, mas piorou novamente.

Fiquei com uma terrível sensação de ser observada, principalmente quando estava no meu quarto. Eu já estava cansada de olhar para todos os lados atrás de alguém invisível.

Quando eu já tinha quatorze e já estava acostumada com a sensação de ser observada.

Era uma segunda-feira e eu estava fazendo meu dever de casa, quando ouvi um barulho vindo do sótão.

Fiquei assustada e peguei uma lanterna e subi até lá.

Não parecia ter nada lá, talvez algo tivesse caído. Tudo estava em perfeita ordem.

Liguei a lâmpada e olhei a volta, em um canto estava uma entidade alta e vestida com um manto negro.

Fiquei paralisada de medo e desliguei a luz e fechei a porta num estrondo. Tranquei e nunca mais entrei, nem passei no corredor que levava ao sótão.

Depois desse dia não conseguia dormir direito, eu tinha olheiras enormes e dormia durante as aulas.

O único lugar seguro para mim, era o colégio, mesmo eu sendo o alvo de todas as maldades dos alunos.

Mas eu sempre acabava sendo pega por um professor ou entrega por um aluno maligno. E ficava de castigo ou detenção depois da aula.

E eu ficava muito grata por isso, era ótimo não ir para casa e ter que viver com medo e sozinha.

Mas chegava o momento que eu abria o portão e a porta, eu ia para o Inferno por livre e espontânea vontade todos os dias.

Eu estava escrevendo em meu fichário, quando vi algo na minha frente. Segurei a caneta com força e olhei para cima. Era apenas aquele garoto misterioso.

Eu olhei para ele assustada, e ele falou comigo pela primeira vez. E assim comecei a falar com um espírito.

Com o tempo comecei a gostar dele, e ele me contou que viveu com sua família há mais de cinquenta anos, e até que aquele pingente que eu usava era dele.

Eu me ofereci para devolver o pingente e ele recusou, alegando que estava me dando de presente.

Eu já tinha perdido a desconfiança por ele, e confiava nele. E um dia ele disse que me amava, eu chorei e disse que também gostava dele.

Mas como ficaríamos juntos? Ele era um espírito de um adolescente morto e eu uma adolescente viva.

Ele disse que tinha um ritual para revivê-lo, e eu aceitei sem pensar duas vezes.

Eu tinha apenas que escrever meu nome num papel e pôr meu sangue. Pronto, fiz isso e nada aconteceu.

Ele sumiu por dias, não vi ele nunca mais e fiquei desconfiada, mas.. logo procurei na internet e descobri que dei minha alma. Eu iria morrer em breve.

Comecei a chorar e fiquei sem sair de casa por um bom tempo. Comecei a ler algo chamado creepypasta, eu gostei. Eram assassinos que enlouquecem e saem matando.

Aquilo me deu uma ideia, a noite peguei uma faca de cozinha e coloquei uma calça preta e um moletom também preto.

Sai andando e vi um rapaz do meu colégio, ele era um dos populares. Seus cabelos caíam em seus rosto. Já era tarde.

Ele sorriu ao me ver, e soltou alguma cantada idiota. Eu fingi estar interessada e ele tentou me beijar, mas eu fui rápida e cortei sua garganta.

Ele morreu na hora, e comecei a esquartejar seu corpo sem vida. E depois fugi.

Ao chegar em casa lavei minhas roupas e a faca e fui dormir como sempre.

Na manhã seguinte, eu saí do quarto e fui comprar um jornal para ver as notícias e ouvi todos dizendo do brutal assassinato.

Eu amei aquele estranho prazer, e ver todos com medo fez eu sorrir muito. Mas eu tinha que me vingar de uma pessoa, mesma ela estando morta, ou não.

A noite fiz um ritual para invocar o garoto, que surgiu. Ele parecia apavorado ao me ver.

- O que você está fazendo? - ele perguntou.

- Sabe uma coisa que foi errada nesse ritual? A faca não era virgem! Não foi minha alma dada. - meu sorriso se alargou. - Mas o que restava da minha sanidade!

- E o que você quer? Me matar? - ele pergunta.

- Não. Só devolver sua alma para o lugar certo. - quando cortei meu pulso e o sangue pingou no pentagrama ele gritou e sua alma voltou ao seu lugar.

No meu pingente. A noite esperei meus pais, e assim que eles chegaram me vesti. A calça preta, a regata com uma caveira e o moletom preto. E por fim meu all'star de cano médio preto.

Fui ao quarto dos dois e os matei. Com o sangue deles escrevi na parede e fugi para nunca mais voltar.

Era o meu adeus a minha antiga vida, e o começo da minha vida como assassina."


No dia seguinte as reportagens eram sobre a família Campbell brutalmente assassinada, sobre a parede a frase: "I'm dead?" (Eu estou morta?)

A culpa do assassinato de Linda e Mark Campbell e o adolescente caíram sobre a única filha do casal que estava desaparecida: Emma Campbell de quatorze anos. Também tinha a suspeita que ela tinha sido sequestrada.

Mas a cidade viveu momentos de terror com a assassina, que todos descreviam ter longos cabelos em cachos castanhos e olhos castanhos, pálida como um fantasma, baixa e vestida de negro. Parecia jovem e tinha os olhos borrados de lápis ou tinta preta.

Primeiramente ela usava facas, mas quando a fama de Dark Ghost, como era chamada. Veio a tona ao descobrirem que sua arma é uma foice.

E só tem uma coisa que Dark Ghost procura em sua vida: sua próxima vítima.

fonte: http://creepypastadark.blogspot.com.br/


Falaram que é o nativo em mim que me torna um bom desvendador de trilhas. Já encontrei 16 pessoas desaparecidas em Nevada, 23 na Califórnica, 49 em Utah e mais centenas em Washington. Descobri que a cidade de Black Lake no estado de Washington é a mais bonita, e é onde eu quero descansar com a mulher que conheci enquanto pescava no lago. Ela foi sortuda em conseguir um emprego como professora da segunda e quarta série da escola fundamental local, eu fui sortudo suficiente para conseguir um emprego no departamento da polícia local e ganhar dinheiro suficiente para provir para minha família, a qual agora incluiu uma bebêzinha também.


A delegacia de Black Lake me colocou em casos de pessoas desaparecidas, os quais haviam vários. Uma cidade desse tamanho deveria ter uma dúzia de desaparecimentos por ano, no máximo. Uma cidade grande deveria ter milhares, mas Black Lake tem uma história de mais de dezenas de milhares de sumiços, o que foi abafado pelos políticos locais. Fiquei sabendo pelo antigo comandante que bairros inteiros sumiam da noite para o dia, e que eu tinha que dar o meu máximo para encontrar algumas dessas pessoas. Mas eu nunca encontrei um desaparecido no meu curto período de estadia em Black Lake.


Em um fim de tarde, enquanto eu estava em um plantão noturno enquanto Rod Serling me falava através da TV em preto e branco sobre o auge do conhecimento e medos dos seres humanos, um homem com com os pés embrulhados, calças bem detonadas e uma camiseta de pijama ao contrário, entrou dentro da delegacia, olhou em volta com um olhar assustado e me pediu um copo d'água.


Levei o homem até a sala de interrogação e servi a ele um copo d'água. Perguntei seu nome, e me respondeu que era Silas MacMurray. Coloquei o nome dele na pesquisa do meu celular, ele observou como se fosse um equipamento alienígena. O nome dele coincidiu com um nos arquivos de desaparecidos. O nome era dos arquivos da antiga delegacia, era um relatório de uma pessoa desaparecida em 1879, o qual estava anexado um lindo desenho feito a mãos do homem em questão, desde o o nariz torto até a barba rala. Era ele ali na minha frente, sem dúvida nenhuma. Silas era um vendedor de máquinas a óleo e bastante amado por sua comunidade, como dizia em sua ficha. Mostrei para ele meu tablet, o qual ele pegou em suas mãos como se fosse uma relíquia sagrada e brilhante. Fico envergonhado em dizer que achei que ele estava drogado quando perguntei como havia chegado ali. Aqui em baixo há uma transcrição da gravação da sala feita as 22:34:


"Acordei em uma noite precisando usar a latrina. Quando lá fora, fui banhado por uma luz branca. Não lembro de mais nada até o quarto rosa, onde vi o pouco que havia para ver: vários escravos como eu separados por galés, todos coletados de zoológicos por todo universo. Algo... me disse que tudo aqui, incluindo humanos, há muito tempo atrás era uma raça inteligente, mantidos em nosso planeta para proteger o... ambiente? Eles pegavam apenas os saudáveis e felizes. Eu estava na segunda galé, a segunda mais difícil de se comunicar - eles apreciavam a primeira galé. Há criaturas acima de nós, me refiro a nós homens, são criaturas de pura luz e energia. Esses que comandam a nave conversam com eles o tempo todo, estão sempre livres. Todos na segunda galé eram escravos como eu. Não sei o que eles fazem com a última galé. Eu já vivi mais de mil anos, senhor, isso posso falar até para Deus. Naquela época, eles me entregaram como um brinquedo, um entretenimento, um animal de estimação. A cada cem anos eles me mandam aqui para baixo por uma noite, pois acham que isso vai me deixar mais feliz, mas não, não me deixa. Então - por favor, me mantenha aqui. Me prenda na sua cela mais resistente, te imploro. Eles não podem me levar novamente, tenho certeza que nunca retornarei. Não sou mais saudável nem feliz."
Com o pedido do senhor MacMurray, eu o levei até a "sala silenciosa", uma cela de concreto acolchoada com uma porta de tranca tripla. Eu dormi sentado em uma cadeira de metal do lado de fora da cela dele, armado com uma espingarda carregada, mas fui acordado por uma luz branca cegante e algo que parecia o som do maior velcro do mundo sendo separado um do outro. Sumiu tão rápido quanto apareceu. Eu destranquei as três trancas da porta e abri para descobrir que Silas havia desaparecido. Demorei duas horas para explicar os eventos daquela noite. Voltei para minha casa cansado, esperando ver minha linda família. Encontrei nada mais que uma casa vazia. Usei todos os recursos que tinha para tentar encontrar minha amada esposa e querida filha, mas no final elas se tornaram apenas mais duas pessoas desaparecidas na cidade de Black Lake.
Elas eram felizes e saudáveis, sabe? Foi por isso que foram levadas, junto com Silas. Acho que, inclusive, Silas estava feliz trancado dentro da cela pois eu disse que ele estaria seguro. Eu nunca serei levado pela nave, pois nunca mais serei feliz.

fonte: reepypastadark.blogspot.com.br

Um homem que estava desaparecido a 137 anos, reapareceu na delegacia em que eu trabalhava

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sábado, 29 de outubro de 2016

A Mulher no Forno




Durante o verão de 1983, em uma cidade tranquila, perto de Minneapolis, Minnesota, o corpo carbonizado de uma mulher foi encontrado dentro do fogão da cozinha de uma pequena fazenda. Uma câmera de vídeo também foi encontrado na cozinha, sobre um tripé, apontado para o forno. Nenhuma fita foi encontrada no interior da câmera no momento.
Apesar de o ocorrido ter sido, originalmente, identificado como um homicídio pela polícia, uma fita VHS foi encontrada no fundo do poço da fazenda, que aparentemente havia secado no início do ano.

Apesar de sua condição de gasto, e o fato de que ela não continha áudio, a polícia ainda eram capaz de ver o conteúdo da fita. Ela mostrava uma mulher se gravando em frente a uma câmera de vídeo, aparentemente a mesma câmera que a polícia encontrou na cozinha. Depois de posicionar a câmera para incluir tanto a ela quanto o fogão de cozinha no campo de visão, ela ligou o forno, abriu a porta, arrastou-se para dentro e fechou a porta atrás dela. Depois de oito minutos de vídeo, o forno pode ser visto balançando violentamente. Neste ponto espesso fumo negro emanava dele. Para os restantes 45 minutos de vídeo, até que a bateria da câmera acabasse, manteve-se na sua posição parada.

Para evitar transtornos para a comunidade local , a polícia não divulgou nenhuma informação sobre a fita, ou até o fato da mesma ter sido encontrada. A polícia também não foi capaz de determinar quem colocou a fita no poço, ou porque o tamanho e estatura da mulher do vídeo não era sequer próxima a do corpo encontrado no forno.

fonte: http://creepypastadark.blogspot.com.br/




Pensar céticamente.

Algo que me define. Pelo menos me definia, Sim definia, me refiro antes desta desgraça.

Acho que comecei um pouco rápido, vamos ao início. Meu nome? Marcelo, 17 anos em vida.

Como dizia o que me definia era ser cético, ao contrário do meu pai, Jonas, que quaisquer coisas que no nosso ato diário de olhar TV no fim do dia passava ele acreditava, por está razão aos aos 56 acreditava em fadas, duendes, sereias e até em dragões, confesso que sentia um pouco de pena da inocência dele em acreditar nisso. Mas o que ele mais acreditava? Aliens era viciado em quais quer coisa relacionada a tal, e eu cético não concordava, mesmo com 8 anos tive um 'contato' que logicamente era uma paralisia do sono.

Desculpe por enrolar vou direto ao ponto. Achava ridículo, mas minha visão ia mudar sobre tal, sabe minha casa é de dois pisos, minha irmã , mãe e pai dormiam em cima e, eu azarado em baix, com direito a cozinha e banheiro do lado do meu quarto, o que de noite me dava altos cagaços. Era por volta das 23h00min quando bruscamente acordo, vejo meu quarto: frio, escuro, normal o que não era, quando percebi algo perto da janela, algo anormal, pensei que era o reflexo da minha cabeça, mas aquilo não parecia normal, algo não humano, uma formal, tentei fazer nenhum barulho e ela ficou ali, de repente ela grita algo em alguma língua estranha ai começava meu fim.

Algo preto saía de baixo da minha cama agarrou meus pés e os quebrou, saíam de todo lado, guarda roupa, porta, teto, gritei mais alto possível, mas de nada adiantava, quando do nada, como uma faca corta manteiga, ele fez um sinal parecido com uma cruz invertida com um circulo ao redor com dois riscos no meio, quando achei ''Assim que vou morrer? " acabou tudo, acordei, chorei demais fui pisar no chão puf a maior dor já sentida por mim, quebrados estavam meus pés, dai me toquei olhei pro meu peito lá estava o símbolo, eu era o escolhido.

Os médicos dizem que os ferimentos não são nada normais, resultado? Gesso por 6 meses, mais foi de menos comparado aos 3 dias sem dormir, não podia dormir NÃO PODIA DORMIR, mas aos poucos meu corpo se rendeu, caiu. Meus medos se confirmaram, dessa vez me estraçalharam os gesso incluindo meu pé. Acordei preso a uma placa, com monstros ou sei lá o que eram aquilo, me olhando com aquele sorriso psicótico se é que pode ser chamado de sorriso, me introduziram todo tipo de coisas incluindo algo que encaixou no meu braço e o abriu completamente, não preciso falar da dor que senti, dali coletaram meu sangue, eu gritava completamente pedindo minha mãe que não era muita chegada a mim, mas ali eu a queria.

Arrancaram minhas pernas e parte do meu pulso, para deixar me agonizar e me levaram a outro lugar onde mais pessoas estavam, pessoas russas, alemãs, australianas todas no mesmo estado que eu, até um brasileiro chamado Miguel, nas nossas últimas horas de vida viramos amigos, amigos no INFERNO fora da terra, nele Miguel me falou que era um experimento, de clonagem, ou seja, arrancavam sangue do original, produziam um clone para mim, no meu lugar, e que não é novo, há mães, presidentes e políticos, até fazendeiros que não são sua alma original , o seu objetivo é enfraquecer a raça humana, produzindo doenças, assassinando, como, por exemplo, o clone que matou Kennedy, Lincoln ou pessoas como Hitler que na verdade teve seu Fim na primeira Guerra e foi usado como marionete.

Quando terminou essa frase seus membros se deceparam sozinhos, junto com suas costelas que saíram com toda força, ele morreu, inveja dele senti, pois teve logo o fim da sua agonia, mas percebi que foi porque sabia demais, eu era o próximo, logo vi que não eram aliens, e sim demônios de formas horrendas de formas não humanas como já tinha citado, eles queria o fim de quem sabia. No mesmo instante senti algo me chocar contra a parede, fiquei paralítico, quando uma das coisas arranca parte do meu pescoço, e depois meus intestinos ASSIM QUE VOU MORRER ? AGONIZANDO ETERNAMENTE AQUI UMA PESSOA NORMAL NÃO SOBREVIVERIA ELES QUEREM MINHA VIDA, NÃO MINHA MORTE, estou condenado a morrer assim como tanto outros e pelo visto é assim que vou morrer. O que me conforta é saber que minha mãe não sabe disso e ao pensar nela é o que faz com que eu aguente mais.

É ESSA MINHA MORTE, NÃO É MAIS A VIDA, SEJA TE ASSOMBRANDO OU NÃO, ISSO NÃO ME IMPORTA, O QUE EU VI EU VI , REFLITA ISSO E LEMBRE-SE QUE eles procuram quem sabe

eu não queria morrer assim

   ==AUTORIZAÇÃO NÍVEL 4 NECESSÁRIA==



abilitação de segurança adequada: Acesso Autorizado

Item #: SCP 008

Classe do Objeto: Euclid

Procedimentos especiais de contenção: as amostras do SCP-008 são de perigo biológico extremo e todos os protocolos relacionados se aplicam. Medidas de incineração e irradiação serão implantadas em caso de ação política ou militar, que pode resultar na instalação sendo desmantelada; uma falha de energia; ou zero de comunicação de agentes ou canais externos durante um determinado período de oito horas. O período de quarentena para agentes deixando a instalação é de quatro meses. Se uma brecha ocorreu, medidas de incineração e irradiação devem ser implantadas. Ele deve ser a política de todos os locais G2 para não preparar um procedimento de evacuação.

Descrição: SCP-008 é um príon complexo, amostras desse estão armazenadas em cada um dos locais G2 conhecidos. A investigação sobre SCP-008 é altamente classificada e destinado principalmente à pesquisa de prevenção, que pode levar à síntese de SCP-008 em um futuro distante. Traços do príon de SCP-008 incluem:

100% de infecciosidade

100% de letalidade

A transmissão através de membranas mucosas expostas e todos os fluídos corporais.



Diagrama de fita ilustrando estrutura terciária do SCP-008. Informações da seqüência de aminoácidos primária foram redigidas.
Não é transmitido pelo ar ou pela água

Sintomas de infecção com o SCP-008 se manifestam não mais de três horas após a exposição, e incluem:

Sintomas gripais com alta temperatura, e demência severa nos estágios seguintes.

Coma cerca de 20 horas após os primeiros sintomas e 12 horas após demência noticiável.

Um período de necrose celular esporádica ocorre e se assemelha a gangrena. O tecido sobrevivente assume sua função original e é altamente elástico.

Os glóbulos vermelhos do sangue aumentam consideravelmente a capacidade de armazenamento de oxigênio, resultando em fluxo sanguíneo mais lento e aumento da resistência e força muscular.

Os sistemas nervoso e muscular não são afetados pela falha total do órgão por várias horas.

Metabolismo pode cair para níveis extremamente baixos, permitindo que o sujeito sobreviva por mais de 10 anos sem nutrição.

A alta viscosidade do sangue resulta em um vazamento insignificante por tiros, perfuração e ferimentos por corte.

Comportamento condicionado, coordenação motora, e os mecanismos de comportamento instintivos são danificados, e as habilidades cognitivas são severamente retardadas e erráticas. Animais experienciam necrose cerebral excesiva e estão inativos.

O sujeito consegue se adaptar aos seus sistemas nervosos danificados, mas é limitado a atividades físicas básicas, incluindo levantar-se, se equilibrar sobre as duas pernas, andar, morder, pegar em objetos e rastejar. O sujeito vai energicamente se mover em direção a locais, sons e cheiros que se associem com humanos vivos. O sujeito tentará ingerir humanos vivos se contato físico for feito.

Neutralizar sujeitos inteiramente infectados requer traumatismo craniano significativo.

Há forte evidência que sugere que o SCP-008 em si não foi formado naturalmente na terra, desde que variantes de complexidade similar teriam se deslocado na maior parte do ecossistema. Em 1959, um pequeno esforço colaborativo com a URSS para localizar locais G2 e eliminar SCP-008 doi negociado após sua descoberta.

O status do SCP-008 sob custódia Russa desde o fim da colaboração é desconhecido.

Adendo 008-1: SCP-500 foi encontrado para ser capaz de curar completamente SCP-008, mesmo em estágios mais avançados da doença.

Créditos: SCP Foundation

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

o suicidio do lula molusco ( video abaixo da postagem )




"Red Mist" é uma fita contendo um episódio inédito de Bob Esponja. Como a há muito tempo perdida e agora descoberta recentemente fita contendo o "Suicide Mouse", Red Mist foi criada por um animador escocês, agora preso, que queria apresentar a fita como o primeiro episódio da quarta temporada, apresentando a morte de Lula Molusco.

Red Mist começa com o Lula Molusco se preparando para praticar com a clarineta em sua casa enquanto Bob Esponja e Patrick brincam do lado de fora. Lula Molusco coloca a boca na clarineta e só consegue tocar uma nota antes de ser interrompido por alguém batendo em sua porta. Ele desce as escadas e abre a porta, encontrando um vendedor ambulante.

O vendedor, um peixe escocês gigante, pergunta se ele poderia ter um momento com Lula Molusco. Mas este diz que não está interessado e bate a porta na cara do vendendor, andando de volta para seu quarto. O vendedor bate à porta mais uma vez, e Lula Molusco abre a porta irritado. O vendedor, parecendo bem triste, diz a Lula Molusco que "a névoa vermelha está vindo" e vai embora, deixando um Lula Molusco confuso para trás. Ele volta para seu quarto e volta a praticar com a clarineta.

Depois de tocar algumas notas bem erradas, Bob Esponja e Patrick começam a rir do lado de fora, interrompendo Lula Molusco mais uma vez. Ele olha pela janela e grita com os dois, dizendo que ele precisa praticar para um concerto que teria. Bob Esponja e Patrick se desculpam com lágrimas nos olhos e vão para suas casas. Lula Molusco, incerto de si mesmo, volta a praticar com sua clarineta mais uma vez, agora sem ser interrompido.
A cena então vai se "apagando" em vermelho e permanece assim por doze segundos.

Talvez por causa de um erro, a mesma cena repete mais uma vez, o que provavelmente deve ser comum em edições básicas de animação. Entretanto, dessa vez, os olhos dos personagens foram substituídos por novos, mais realísticos e com pupilas vermelhas. Obviamente nada mais real que CGI ou animação. Não há mais áudio nessa cena, tirando alguns "cliques" ocasionais.

Depois da repetição da cena anterior, uma nova começa, com os mesmos olhos vermelhos nos personagens. Agora todos estão no teatro, onde Lula Molusco está tocando sua clarineta. Os quadros da animação "pulam" a cada quatro segundos, mas o som permanece sincronizado. Depois de uma apresentação ruim da música que ele mesmo intitulou "Red Mist", Bob Esponja e Patrick são vistos na platéia vaiando Lula Molusco, muito incomum da parte deles.

A cena se afasta, revelando que o vendedor escocês está ao lado deles, também vaiando, enquanto Lula Molusco vai embora cobrindo a cabeça com seus tentáculos. O que há de estranho é que a cena realmente o mostra voltando para casa, sem nada acontecer ao fundo, e permanece desse modo por três minutos e cinquenta segundos antes de ser abuptamente cortada para uma tela em vermelho por mais outros vinte segundos, bem quando ele volta pra sua casa.


Uma nova cena começa, com os olhos de desenho de volta. Lula Molusco está sentado em uma cadeira, em seu quarto, com um olhar perdido em seu rosto que dura trinta segundos exatos, antes de ele começar a soluçar levemente. Novamente, o áudio está ausente por quase toda a cena, até que os soluços começam. Um leve zoom no rosto de Lula Molusco também começa, apenas perceptível se você olha os quadros da cena lado a lado. O som dele soluçando começa de repente, bem alto e severo, enquanto a tela treme um pouco. A risada do vendedor também pode ser ouvida ao fundo.

Depois de outros trinta segundos, a tela embaça e se torce violentamente. Um único frame pisca na tela. Pausando exatamente sobre o frame, o espectador pode ver uma foto real de um garoto de seis anos morto, caído na floresta apenas com roupas de baixo, cujo rosto econtra-se deformado, com um olho arrancado e o estômago aberto, com as entranhas caíndo ao seu lado.
Ao lado, a sombra do fotógrafo pode ser claramente vista, juntamente com parte da mão dele aparecendo do lado direito da cena.

Depois que essa foto aparece, a cena volta para Lula Molusco soluçando, muito mais alto do que antes, e o que parece ser sangue escorre de seus olhos ao invés de lágrimas. O riso do vendedor pode ser ouvido ainda. O som de vento na floresta também pode ser ouvido em som alto, com o som de galhos sendo quebrados e de um menino gritando. Depois de vinte segundos, outro quadro aparece, agora com uma menina de oito anos morta, caída de barriga pra baixo em uma poça de sangue, na mesma floresta da foto do menino. Suas costas estão abertas e suas entranhas empilhadas sobre ela. A foto do fotógrafo também é visível.

A cena retorna para Lula Molusco, agora com os mesmos olhos vermelhos e realistas de antes, completamente em silêncio e não mais soluçando. O som da floresta também não pode mais ser ouvido.
Três segundos mais tarde os soluços voltam, agora muito mais alto e com o som da floresta de volta. Os gritos de um menino e uma menina podem ser ouvidos misturados com a música "Amazing Grace" tocada com clarineta e gaita de Foles. Enquanto isso, sete quadros podem ser vistos em preto e branco, mostrando o menino da primeira fotografia. A mão do fotógrafo pode ser vista durante a passagem dos quadros, pegando as entranhas do menino, com seu único olho restante fitando a mão do homem, e até pisca uma vez.

Corta para Lula Molusco mais uma vez, agora encarando o espectador enquanto a voz do vendedor grita "FAÇA" e "a névoa vermelha está vindo" ao fundo repetidamente. Depois de quarenta segundos, a câmera rapidamente se afasta para revelar que Lula Molusco está segurando uma arma realista, parecendo que havia sido "Photoshopada" na cena. Lula Molusco ergue o cano da arma para sua boca e atira. Sangue espirra de sua cabeça e a tela corta para estática (O famoso"chiado").

Em 7 de Novembro de 2004, depois que os storyboards da animação foram finalizados em Fife, Escócia, a fita foi entregue para os animadores e editores de som na Paramout Studios, em Hollywood, Califórnia, no meio da noite. A fita foi levada para sala de edição onde foi assistida pelos animadores e editores já citados, e mais dois residentes de dezesseis anos. A fita, que deveria ser uma edição básica do episódio "Medo de Hambúrger de Siri", começou com o título "Red Mist". Achando que era brincadeira, os animadores continuaram à assistir, descobrindo que a fita havia sido modificada com algum tipo de brincadeira maldosa.

Como resultado, três animadores (Barry O'Neill, Grant Kirkland Jr. e Alyssa Simpson) foram mandados para o hospital, um editor se aposentou (Fernando de la Peña) e um residente (Jackie McMullen) cometeu suicídio. A fita foi enviada para a polícia, que determinou que a animação havia sido criada por Andrew Skinner, um animador de Fife, Escócia. Ele foi acusado por nove assassinatos, incluindo o das duas crianças que aparecem na fita. O mais estranho, é que ao analisar os dados na VHS, a polícia descobriu que a última edição da fita havia sido feita exatamente vinte e quatro segundos antes de ser assistida pela equipe de Bob Esponja.

Uma cópia da fita foi feita (antes da polícia confiscar a original) por Chaz Agnew, escritor deste artigo e o único residente que sobreviveu aquela noite.

Não sabemos o que aconteceu, ninguém sabe. Uma investigação ocorreu para tentar descobrir a origem das fotos, mas nada foi revelado. Nenhuma das crianças foi identificada, e nenhuma prova foi coletada dos materiais.

O vídeo abaixo mostra um trecho de 49 segundos do vídeo original, a penúltima cena do episódio. Foi o primeiro trecho liberado por Agnew, após isso alguns fãs fizeram uma montagem, um "remake" caseiro do episódio




fonte: http://creepypastadark.blogspot.com.br/

Família Dinossauro - O Episodio Final



Primeiramente gostaria de dizer que está é uma creepypasta real. Antes de tudo lhes pergunto uma coisa, qual foi o último episodio da serie Família Dinossauro? Se você pesquisar em anexos uma lista de episódios veremos que todas indicam que o ultimo episodio é o episodio 65, sera? Não!!
Digamos que esse foi o suposto final, uma farsa. O último episodio de Família Dinossauro se chama Changing Nature (Mudando de Natureza), enquanto o suposto final se chamava George Must Die (George tem que Morrer). Quanto a numeração, o suposto final é dito como o episodio 65, quanto ao verdadeiro final, obviamente é o 66 (este número te lembra algo?)


O episodio se tratava de algo um tanto diferente, um tema um pouco mais sombrio, a extinção.


Dino constrói uma fábrica de frutas de cera em cima da área de acasalamento dos besouros. Isso causa um desastre ecológico que desencadeia a era do gelo. Em uma das cenas vemos Dino tentando se justificar e pedindo perdão à família, já que todo o planeta está condenado.


É dificil pensar que depois de tantos bons episódios e tantas alegrias vendo Família Dinossauro descobrimos que no final tudo acaba...

Manuscrito encontrado numa garrafa



Da minha terra e da minha família pouco tenho a dizer. Os maus costumes e o acumular dos anos afastaram-me da primeira e alhearam-me da segunda. O meu patrimônio proporcionou-me uma educação pouco comum e uma disposição de espírito contemplativa permitiu-me ordenar metodicamente as aquisições diligentemente reunidas pelo estudo precoce. O estudo dos filósofos alemães fez particularmente as minhas delícias: não por qualquer mal-avisada admiração pela sua eloqüente loucura, mas antes pela facilidade com que os meus hábitos de raciocínio rigoroso me facultavam a detecção dos seus erros. Fui muitas vezes admoestado pela aridez do meu gênio; imputavam-me, como se de um crime se tratasse, falta de imaginação, e o pirronismo das minhas opiniões sempre me tornou notado. De fato, receio bem que uma forte atração pela filosofia física me tenha impregnado o espírito de um defeito muito comum nesta época: refiro-me ao hábito de reportar os acontecimentos, mesmo os menos susceptíveis de o serem, aos princípios de tal ciência. Em suma, ninguém seria menos dado que eu a deixar-se desviar das estritas fronteiras da verdade pelos ignes fatui da superstição. Achei que se justificaria esta introdução, sob pena de o incrível relato que se segue ser tomado mais pelo delírio de uma imaginação desenfreada do que pela experiência positiva de um espírito para o qual os devaneios da fantasia sempre foram letra morta e coisa de nulo valor.
Após muitos anos passados em deslocações pelo estrangeiro, larguei no ano de 18… do porto de Batávia, na rica e populosa ilha de Java, em viagem ao arquipélago de Sunda. Embarquei como passageiro, sem outro estímulo que não fosse uma qualquer nervosa irrequietude que me obcecava como espírito maléfico.
O nosso navio era um belo veleiro de umas quatrocentas toneladas, construído de teca do Malabar em Bombaim. Levava um carregamento de algodão em rama e azeite, proveniente das ilhas Lacadivas. Transportávamos ainda fibra de coco, açúcar mascavado, manteiga, cocos e algumas caixas de ópio. A estiva tinha sido feita de modo descuidado, pelo que o navio ia adornado.
Largamos sob um tênue bafejo de vento e mantivemo-nos durante vários dias ao longo da costa oriental de Java, sem mais incidentes que iludissem a monotonia da nossa singradura para além do encontro ocasional com alguns grabs (1) do arquipélago a que nos mantínhamos confinados.
Uma tarde, debruçado à balaustrada da popa, observei uma nuvem isolada muito estranha, a noroeste. Era singular, quer pela cor, quer por ser a primeira com que deparávamos desde a largada de Batávia. Contemplei-a atentamente até ao sol-pôr, altura em que alastrou repentinamente para leste e oeste, cercando o horizonte de uma estreita faixa de vapor e assemelhando-se a uma baixa linha de costa. Não tardou que a minha atenção fosse subseqüentemente atraída pelo aspecto vermelho-escuro da Lua e pelo invulgar estado do mar. Este sofreu uma rápida alteração e a água parecia mais transparente do que o habitual. Embora conseguisse ver distintamente o fundo, ao lançar a sonda verifiquei que a profundidade local era de vinte braças. O ar tornara-se agora intoleravelmente quente e estava carregado de exalações espirais semelhantes às que se desprendem do ferro quando aquecido. Com o tombar da noite, o vento caiu totalmente, sendo impossível conceber calmaria mais completa. A chama da lanterna sobre a popa ardia sem o menor movimento perceptível, e um cabelo comprido, seguro entre o polegar e o indicador, pendia sem que pudesse observar-se a mais pequena ondulação. No entanto, como o comandante dissesse que não se apercebia de qualquer indício de perigo, e uma vez que estávamos a abater totalmente para terra, mandou ferrar as velas e fundear. Não se passou a regime de quartos e a tripulação, constituída principalmente por malaios, veio deitar-se deliberadamente no convés. Desci aos alojamentos – não sem um forte pressentimento de desastre. De facto, todas as aparências me levavam a suspeitar da aproximação do simum. Dei parte dos meus temores ao comandante, mas este não prestou a menor atenção às minhas palavras e deixou-me sem ao menos se dignar de responder. Todavia, a inquietação não me deixou dormir e, perto da meia-noite, subi ao convés. Ao colocar o pé no último degrau da escada, fui surpreendido por um forte ruído sussurrante como produzido por rápida rotação de moinho e, antes que pudesse averiguar o seu significado, apercebi-me de que o navio estremecia na direção do seu centro. No instante imediato, um cachão de espuma fez-nos adornar subitamente e, passando sobre nós, varreu todo o convés de popa a proa.
A extrema violência do choque veio, em grande parte, a ser a salvação do navio. Embora completamente inundado, quando os mastros foram pela borda fora, ergueu-se pesadamente das águas um minuto depois e, vacilando um instante sob a intensa pressão da tempestade, endireitou-se finalmente.
Não sei dizer por que milagre escapei à destruição. Atordoado pelo embate de água, dei por mim, uma vez refeito, entalado entre o cadaste e o leme. com grande dificuldade, pus-me de pé e, olhando confusamente ao redor, fui inicialmente assaltado pela idéia de que estivéssemos no meio de recifes, de tal modo terrível e inimaginável era o turbilhão do oceano alteroso e espumejante em que estávamos mergulhados. Passados algum tempo ouvi a voz de um velho sueco, que embarcara conosco no momento em que largávamos do porto. Gritei-lhe com todas as forças e ele acabou por dirigir-se, a cambalear, para a popa. Depressa descobrimos que éramos os únicos sobreviventes do acidente. Todos os que estavam no convés, exceto nós, tinham sido varridos pela borda fora; o comandante e os oficiais deviam ter perecido durante o sono, visto que os camarotes se encontravam totalmente alagados. Sem auxílio, pouco poderíamos contar fazer pela segurança do navio e os nossos esforços foram de princípio paralisados pela perspectiva momentânea de irmos a pique. Era evidente que a amarra se quebrara como se fosse uma guita ao primeiro sopro do furacão, pois de contrário teríamos sido instantaneamente esmagados. Corríamos com o furacão a uma velocidade assustadora e as águas abriam brechas visíveis à nossa frente. A estrutura da popa tinha sofrido enormes danos e, praticamente sob todos os aspectos, fôramos objeto de consideráveis avarias; mas para nossa extrema alegria, descobrimos que as bombas não tinham ficado obstruídas e que o lastro não sofrera grande deslocação. A maior fúria da tempestade tinha já amainado e a violência do vento não parecia oferecer grande perigo: contudo, ansiávamos, consternados, por que ele cessasse completamente, pois estávamos em crer que, com tais estragos, inevitavelmente pereceríamos na ondulação tremenda que sobreviria. Contudo, esta justíssima apreensão não parecia de modo algum em vias de concretizar-se. Durante cinco dias e cinco noites – no decurso dos quais tivemos por único alimento uma pequena porção de açúcar mascavado, obtido com grande dificuldade no castelo da proa – o calhambeque correu a uma velocidade que desafiava qualquer cálculo, impulsionado por rajadas de vento que se sucediam rapidamente, as quais, sem contudo se compararem à violência inicial do simum, eram ainda mais terríveis do que qualquer tempestade que até então eu tivesse presenciado. O nosso rumo durante os primeiros quatro dias foi, com insignificantes variações, sueste quarta a sul, e deveríamos ir parar às costas da Nova Holanda. No quinto dia começou a fazer-se sentir um frio extremo, embora o vento tivesse rondado mais uma quarta para norte. O Sol despontou com um fulgor amarelo doentio e ergueu-se apenas alguns graus acima do horizonte – sem emitir uma luz definida. Não havia nuvens à vista, mas o vento continuava a refrescar e soprava com uma violência irregular e instável. Cerca do meio-dia, tanto quanto nos era possível estimar, a nossa atenção foi novamente desperta pela aparência do Sol. Não emitia luz propriamente dita, mas antes um clarão mortiço e soturno sem reverberação, como se todos os seus raios estivessem polarizados. Imediatamente antes de mergulhar no mar túrgido, a sua chama central extinguiu-se de súbito, como que pressurosamente apagada por algum inexplicável poder. Era apenas um arco esbatido e quase prateado ao precipitar-se no oceano insondável.
Aguardamos em vão a chegada do sexto dia: esse dia para mim não chegou: para o sueco, não existiu sequer. De então em diante, vimo-nos amortalhados numa escuridão de breu, de tal modo que não conseguiríamos ver um objeto a vinte passo do navio. A noite eterna começou a envolver-nos, nem sequer mitigada pela fosforescência das águas a que nos habituáramos nos trópicos. Observamos igualmente que, embora a tempestade continuasse a bramir com inquebrantável violência, já não conseguia descortinar-se o habitual aparecimento de rebentação ou espuma, que até então nos havia acompanhado. À nossa volta tudo era horror, trevas profundas e um negro e abrasador deserto de ébano. Um terror supersticioso começou a invadir progressivamente o cérebro do velho sueco, e meu próprio espírito estava mergulhado em profundo espanto. Abandonáramos todos os cuidados do navio, mais do que inúteis, e, amarrando-nos o melhor que pudemos ao mastro da mezena, observávamos amargamente a imensidão do oceano. Não tínhamos maneira de calcular o tempo nem fazíamos a menor idéia de qual a nossa posição. Contudo, estávamos perfeitamente cientes de que havíamos navegado mais para sul do que qualquer outro mareante e experimentamos grande admiração por se não nos depararem os habituais obstáculos de gelo. Entrementes, cada instante ameaçava ser o último da nossa vida: não havia vaga alterosa que não se precipitasse para nos esmagar. A ondulação ultrapassava tudo o que eu imaginara possível e o fato de o mar não nos ter sepultado instantaneamente constituía um milagre. O meu companheiro referiu-se ao pouco peso da carga que transportávamos e recordou-me as excelentes qualidades do navio; fosse como fosse, eu não conseguia deixar de sentir o extremo desespero da própria esperança e preparei-me melancolicamente para a morte que acreditava nada poder adiar por mais que uma hora, visto que, a cada nó que o navio avançava, a agitação das prodigiosas águas negras se tornava cada vez mais lugubremente aterradora. Por vezes, ao elevarmo-nos mais ainda que um albatroz, perdíamos a respiração; outras ficávamos atordoados com a velocidade com que o navio se afundava em qualquer inferno aquático, onde o ar estagnava e nenhum som perturbava o sono do kraken (2).
Encontrávamo-nos no fundo de um desses abismos quando um súbito grito do meu companheiro rompeu temerosamente na noite:
– Olhe! Olhe! – gritou angustiadamente aos meus ouvidos. – Deus todo-poderoso! Olhe! Olhe!
Enquanto ele falava, apercebi-me do clarão mortiço e sombrio de uma luz vermelha que se escoava de um e outro lado do abismo em que estávamos mergulhados, e lançava um brilho incerto sobre o nosso convés. Erguendo a vista, observei um espetáculo que me fez gelar o sangue nas veias. A uma altura descomunal acima de nós, e precisamente na orla precipício das águas, pairava um gigantesco navio de umas quatro mil toneladas. Apesar de alcandorado na crista de uma vaga que tinha mais de cem vezes a sua altura, as suas dimensões aparentes ainda assim excediam as de qualquer navio de linha ou da Companhia das Índias. O seu casco enorme era de um negro profundo, nem sequer atenuado por qualquer dos habituais ornatos que os navios ostentam. Uma fileira única de peças de artilharia de bronze emergia das escotilhas abertas e as suas superfícies polidas refletiam os clarões das inúmeras lanternas de combate que balouçavam de um lado para outro na mastreação. Todavia, o que fundamentalmente nos encheu de horror e espanto foi que ele navegava a todo o pano, a despeito daquele mar sobrenatural e do incontrolável furacão. Quando o avistamos a primeira vez, apenas se lhe via a proa, ao erguer-se lentamente do sombrio e horrível fosso que ia deixando para trás. Por um instante de intenso terror, deteve-se sobre o cume vertiginoso, como que imerso na contemplação da sua própria magnificência, após o que estremeceu, vacilou e… iniciou a queda.
Nesse instante, não sei que súbita serenidade me invadiu o espírito. Avançando a cambalear para a popa o mais que me foi possível, aguardei sem receio a catástrofe que certamente nos iria esmagar. O nosso próprio navio começava a abandonar a luta e a mergulhar a proa nas águas. O choque daquela mole que se abatia atingiu-o, por conseguinte, naquele porção da estrutura que estava já sob a água, e o resultado inevitável foi precipitar-me, com irresistível violência, de encontro ao cordame do intruso.
Quando caí, o navio aproou ao vento e virou de bordo; foi à confusão que se seguiu que atribuí o fato de ter passado despercebido aos olhos da tripulação. Não encontrei dificuldade em abrir caminho sem ser detectado até à escotilha principal, que estava parcialmente aberta, e pouco tardou que se me deparasse uma ocasião propícia para me ocultar no porão. Não sei exatamente por que razão o fiz. Talvez uma indefinida sensação de temor, que desde a primeira visão dos tripulantes do navio se me apoderara do espírito, estivesse na origem desta tentativa de buscar esconderijo. Não me sentia inclinado a confiar numa raça de gente que havia revelado, perante o olhar apressado que lhes deitara, tantos motivos de vaga estranheza, dúvida e apreensão. Julguei, pois, acertado arranjar um lugar no porão onde pudesse ocultar-me. Fi-lo deslocando uma porção de pranchas, de modo a obter um abrigo adequado entre o cavername enorme do navio.
Mal terminara ainda a tarefa, quando o som de passos no porão me obrigou a utilizá-lo. Um homem de andar débil e incerto passou junto ao meu esconderijo. Não pude ver-lhe o rosto, mas tive ocasião de observar-lhe o aspecto geral. Apresentava indícios de idade avançada e de doença. Os joelhos vacilavam ao peso dos anos e todo o corpo estremecia sob o seu fardo. Murmurava de si para si, em tom grave e entrecortado, quaisquer palavras numa língua que não logrei distinguir e tateou a um canto entre uma pilha de instrumentos de aspecto invulgar e de cartas de navegação apodrecidas. O seu comportamento era uma estranha mistura de rabugice da segunda infância e da solene dignidade de um deus. Acabou por regressar ao convés e não voltei a vê-lo.
* * *
Um sentimento que não sei designar apossou-se-me do espírito: uma sensação que não admite análise, para a qual os ensinamentos do passado de nada servem e, receio, nem o porvir me fornecerá a chave. Para um espírito da estrutura do meu, esta última consideração é uma tortura. Nunca hei de ser esclarecido – sei que nunca o serei – relativamente à natureza das minhas concepções. E contudo não será de estranhar que tais concepções sejam mal definidas, posto que têm a sua origem em causas tão inteiramente inéditas. Um novo sentido – uma nova entidade – foi acrescentada à minha alma.
Faz já muito que pisei pela primeira vez o convés deste terrível navio e julgo que os raios do meu destino convergem para um foco. Homens incompreensíveis! Imersos em meditações cuja natureza não logro adivinhar, passam por mim sem darem pela minha presença. O fato de me esconder é puro disparate da minha parte, pois esta gente não quer ver. Ainda há instantes passei diretamente pela frente do imediato; não faz muito tempo que me aventurei a penetrar mesmo no camarote individual do comandante e de lá tirei o material com o qual escrevo e tenho vindo a escrever. Continuarei este diário de quando em quando. É certo que posso não ter ocasião de transmiti-lo ao mundo, mas não deixarei de o tentar. No último momento meterei o manuscrito numa garrafa e lançá-la-ei ao mar.
* * *
Deu-se um incidente que me forneceu novos motivos de reflexão. Será tudo isto obra de um desordenado Acaso? Tinha-me aventurado a sair ao convés e estendi-me, sem despertar a menor atenção, no meio de um amontoado de cabos de enxárcias e de velas usadas, no fundo do escaler. Enquanto meditava sobre a singularidade do meu destino, rabisquei inconscientemente com uma brocha de alcatrão as orlas de um cutelo cuidadosamente dobrado que tinha perto de mim sobre uma barrica. O cutelo está agora envergado no navio e as pinceladas irrefletidas da brocha, com a vela esticada, formam a palavra DESCOBERTA.
Ultimamente fiz várias observações sobre a estrutura do navio. Embora bem armado, creio que não se trata de um navio de guerra. Quer o cordame, quer a construção, quer o equipamento em geral levam a por de lado tal hipótese. O que ele não é posso eu facilmente compreender; receio é que seja impossível dizer o que é. Não sei como, mas, ao perscrutar o seu estranho modelo e a forma singular da mastreação, o seu enorme tamanho, o exagerado número de jogos de velas, a sua proa austeramente simples e a popa antiquada, acontece vir uma ou outra vez ao meu espírito uma sensação de coisas familiares, e a essas sombras indistintas da memória mistura-se sempre uma inexplicável reminiscência de velhas crônicas estrangeiras e de épocas remotas.
Estive a observar o madeiramento do navio. O material de que é feito é-me desconhecido. Há uma característica peculiar da madeira que me choca como se a tornasse inadequada para o fim ao qual foi destinada: refiro-me à sua extrema porosidade, considerada independentemente do fato dos estragos que os parasitas provocam nestes mares e para além da podridão concomitante com a idade. Isto poderá porventura parecer uma observação algo sutil, mas esta madeira teria todas as características do carvalho espanhol se este tivesse sido distendido por quaisquer meios não naturais.
Ao reler a frase anterior, ocorre-me intacto à memória o curioso adágio de um velho marinheiro holandês forjado nas intempéries: “É tão verdade”, costumava dizer quando alguém albergava qualquer dúvida sobre a veracidade do que contava, “como é verdade existir um mar onde o próprio navio aumenta de volume como o corpo vivo de um marinheiro”.
Há cerca de uma hora, ousei introduzir-me num grupo de tripulantes. Não me deram a menor atenção e, embora estivesse mesmo no meio de todos eles, pareceram completamente alheios à minha presença. Tal como o que tinha visto antes no porão, qualquer deles apresentava indícios de encanecida velhice. Os joelhos tremiam-lhes de doença; tinham os ombros duplamente abaulados devido à decrepitude; os seus rostos ressequidos abanavam ao vento; as vozes eram baixas, trêmulas e entrecortadas; os olhos cintilavam-lhes com a reuma dos anos e os cabelos grisalhos tremulavam espantosamente na tempestade. Em redor deles, por todo o convés, estavam espalhados instrumentos matemáticos da mais singular e obsoleta estrutura.
Referi um pouco atrás o envergar de um cutelo. Desde essa altura o navio, correndo com o vento, continuou a sua assustadora carreira para sul, com todo pano largado, dos topos dos mastros aos botalós dos cutelos baixos, e balançando a cada instante as vergas do joanete no mais aterrador inferno marinho que a imaginação humana possa conceber. Acabo de abandonar o convés, onde concluí ser impossível manter-me, embora a tripulação não pareça experimentar grande incomodidade. Afigura-se-me o milagre dos milagres o fato de a massa enorme de nosso navio não ser tragada de uma vez por todas. Estamos certamente condenados a pairar continuamente sobre a orla da Eternidade, sem dar um mergulho final no abismo. Deslizamos entre vagas mil mais tremendas do que alguma vez vi, com a facilidade da sagitada gaivota; e as ondas colossais erguem as cristas sobre nós como demônios das profundezas, mas como demônios limitados a meras ameaças e impedidos de destruir. Sinto-me tentado a atribuir esta repetida salvação à unica causa natural que pode explicar tal efeito: devo supor que o navio está sob a influência de uma forte corrente, de uma impetuosa ressaca.
Vi o comandante cara a cara, e no seu próprio camarote; mas, como esperava, não me prestou atenção. Embora nada haja no seu aspecto, para um observador pouco atento, que possa sugerir ser ele alguma coisa mais ou menos do que humano, misturaram-se-me uma irreprimível reverência e temor à sensação de espanto com que o observei. A estatura dele é quase a mesma que a minha, isto é, certa de um metro e setenta. É de compleição proporcionada e compacta, sem ser robusto nem quanto ao resto digno de nota. É, porém, a singularidade da expressão que lhe anima o rosto, é o intenso, maravilhoso e empolgante testemunho de velhice, de uma tão extrema velhice que suscita no meu espírito um sentimento, uma sensação inefável. A sua fronte, conquanto pouco enrugada, parece transportar a marca de uma miríade de anos. Os seus cabelos grisalhos são registros do passado e os olhos ainda mais cinzentos são sibilas do futuro. O pavimento do camarote estava densamente juncado de in-fólios com fivelas de ferro, de esboroados instrumentos científicos e de cartas obsoletas e há muito abandonadas. Tinha a cabeça inclinada sobre as mãos e lia atentamente, com um ardente olhar inquieto, um papel que tomei por uma carta de comando e que, em qualquer caso, apresentava a assinatura de um monarca. Murmurava de si para si, em voz baixa e rabugenta, como fazia o primeiro marinheiro que eu vira no porão, quaisquer sílabas de uma língua estrangeira, e, embora falasse mesmo junto de mim, a sua voz parecia chegar-me aos ouvidos vinda de uma milha de distância.
O navio e todos os que nele seguem estão imbuídos do espírito de Antanho. A tripulação desliza para um lado e para outro como fantasmas de séculos enterrados; os seus olhares têm uma expressão ansiosa e intranqüila; e quando os seus dedos, à minha passagem, caem sob o brilho cru das lanternas de combate, sinto o que nunca antes senti, embora toda a vida tenha negociado em antiguidades e me tenha impregnado das sombras das colunas caídas de Balbec, Tadmor, e Persépolis, até a minha própria alma se converter numa ruína.
Quando olho em redor envergonho-me das minhas apreensões iniciais. Se tremi ante a tempestade que até agora nos acompanhou, não deveria ficar horrorizado perante a adversidade do vendo e do oceano, que as palavras tornado e simum se tornam banais e ineficazes para descrever? Tudo o que se encontra na imediata proximidade do navio é a escuridão da noite eterna e um caos de água sem espuma; mas, cerca de uma légua para um e outro bordo, podem ver-se, indistintamente e de quando em quando, enormes baluartes de gelo, que se erguem ao longe contra o céu desolado, semelhantes às muralhas do universo.
Conforme imaginei, prova-se que o navio está sob a ação de uma corrente, se é que assim se pode apelidar uma maré que, gemendo e uivando através da brancura do gelo, troveja para o sul com uma velocidade semelhante à impetuosa precipitação de uma catarata.
Creio ser totalmente impossível transmitir o horror das minhas sensações; porém, a curiosidade de penetrar os mistérios destas horríveis regiões prevalece mesmo sobre o meu desespero e reconcilia-me com o aspecto mais hediondo da morte. Torna-se evidente que corremos ao encontro de qualquer revelação emocionante: algum segredo que nunca será transmitido, descoberta é o termo da vida. Talvez esta corrente nos leve ao próprio Pólo Sul. Devo considerar que esta suposição, aparentemente tão estranha, tem todas as probabilidades de estar correta.
A tripulação percorre o convés com passo inquieto e trêmulo; mas há na sua atitude uma expressão que é mais da ânsia da esperança do que da apatia do desespero.
Entretanto, temos ainda o vento na popa e, como navegamos com imenso pano, o navio é por vezes erguido do mar em peso. Oh, horror sobre horror! O gelo abre-se simultaneamente à direita e à esquerda e começamos a rodopiar vertiginosamente em imensos círculos concêntricos, em torno de um gigantesco anfiteatro, de paredes cuja altura se perde na escuridão e na distância. Mas pouco tempo me restará para ponderar sobre o meu destino: os círculos estreitam rapidamente… mergulhamos loucamente nas garras do turbilhão… e, por entre o rugir, o bramir e o ribombar do oceano e da tempestade, o navio começa a estremecer e – meu Deus! – e… a afundar. (3)
Edgar Allan Poe
fonte: https://contosdocovil.wordpress.com/2008/06/09/manuscrito-encontrado-numa-garrafa/