domingo, 27 de novembro de 2016




O que estou prestes a compartilhar com você hoje é uma das muitas formas relativamente seguro em que você pode acessar (não exactamente entrar) um lugar que eu chamo de "Shadowside", e sua eficácia depende da seriedade a que você me leve; a sua distância pode variar.
Eu não vou dizer-lhe que você não deve ter medo da Shadowside; é provável que você já tenha visto esse lugar, afinal, e acha que foi apenas um "sonho recorrente". Vou dizer que não há necessidade de ignorantemente ter medo, no entanto.
Há uma diferença. A ignorância alimenta o medo e o medo tornar o lugar muito pior. Você tem que ser excelente na preparação, se quiser tentar fazer isso. É como sky diving: se não acertar na primeira tentativa, então isso não é para você.
Se você usou drogas ou álcool às vésperas da noite do "evento", você vai ter uma experiência ruim. Se você estiver passando por problemas graves em sua vida e não se sentir mentalmente ou espiritualmente estável, ou se você está fazendo isso apenas para fugir, você vai ter uma experiência péssima. E se você não seguir minhas instruções (em especial a vários backups eu vou dar a você, e que, confie em mim, têm uma razão de existir) você vai realmente ter uma experiência horrível.
Aliás, o nome desse jogo é "Os Três Reis".
Ingredientes:
- Uma sala grande, vazia e tranquila, de preferência sem janelas. Se houver janelas, você precisa ser capaz de cobri-las e assegurar a total escuridão. Porões geralmente funcionam bem, se eles forem suficientemente espaçosos.
- Um pacote de velas (você vai usar apenas uma, se tudo correr bem), e um isqueiro.
- Um balde de água e uma caneca.
- Um ventilador.
- Dois grandes espelhos (como aqueles de guarda-roupas. Não se preocupe, eles não vão ser prejudicados. E se forem, essa será a última de suas preocupações).
- Três cadeiras.
- Um despertador.
- Um celular ligado (não esqueça de carregar a maldita bateria!)
- Um ente querido disposto a seguir as regras e se juntar a você em toda essa loucura.
- Um pequeno brinquedo ou objecto querido de sua infância.
Preparação: Comece a preparar tudo por volta das 11 da noite. Coloque uma cadeira no centro da sala, voltada para o norte (isso é importante). Coloque as outras duas cadeiras exactamente à esquerda e à direita, de frente para o seu trono. A distância entre o seu trono e sua rainha e bobo da corte deve ser o comprimento do seu braço para cada lado, mais ou menos. Coloque os dois grandes espelhos nas cadeiras da rainha e do bobo, à esquerda e à direita, virados para você (e um para o outro). Tente o seu melhor para que fiquem em um ângulo de 90 graus (de outro jeito, você pode obter mais ou menos do que três Reis). Se você se sentar no seu trono voltado para frente (norte), você deve ser capaz de perceber o seu próprik reflexo em cada um dos dois espelhos sem ter de virar a sua cabeça e nem os olhos para fazê-lo. Se você ver o seu próprio reflexo no canto de seu olho, mesmo que apenas um pouquinho, então você fez a coisa certa.
Coloque o balde de água e a caneca à sua frente, apenas um pouco fora do alcance.
Coloque o ventilador atrás de você, ligue-o. Não o coloque na potência máxima - médio ou baixo geralmente é suficiente. Deixe-o ligado.
Desligue as luzes, deixe a porta aberta e vá para o seu quarto.
Deixe as velas ao lado da sua cama, junto com o isqueiro, o despertador e o celular (deixe-o carregando).
Desligue as luzes e durma segurando seu objecto. Descanse, você vai precisar.
Acorde às 3:30 com seu despertador tocando. Desligue-o, mas não desligue a luz. Você terá três minutos para acender uma vela, pegar seu celular e sentar-se no seu trono no quarto escuro. Não se esqueça do objecto da sua infância!
Fique atento a sinais negativos! Se o seu celular não tiver carregado por algum motivo, aborte a missão. Se o seu despertador não tocar exatamente às 3:30, aborte a missão. Se encontrar a porta do quarto escuro fechada (lembre-se que a deixou aberta), aborte a missão. Se o ventilador estiver desligado, aborte a missão.
(Nota: Se tiver que abortar a missão por qualquer um dos motivos acima, saia da casa com seu ente querido. Vá para um hotel ou algo assim. Não precisa correr; você tem tempo para pegar seu casaco, suas chaves e o que bem entender, mas saia da casa. Depois das 6 da manhã, a barra deverá estar limpa.)
Se tudo está indo conforme o planeado, você pode avançar e tomar seu trono. NÃO olhe directamente para qualquer dos dois espelhos à sua frente. NÃO deixe que a vela se apague. O ventilador está atrás de você. Você deve proteger a vela com o seu corpo (há uma razão para isso; como você vai ver em breve) . Olhe para a frente, para escuridão. Não para a vela, não para os espelhos, apenas olhe em frente.
Leitores atentos certamente notaram que eu não disse durante a configuração que cadeira é da rainha e que cadeira é do bobo da corte. Isso porque é o seu trabalho descobrir. E dependendo do ponto de vista, você é a rainha ou o bobo de algum deles. Daí Três Reis.
Não vou estragar o que vai acontecer a seguir. Basta dizer, que você não estará sozinho e se tiver dúvidas, você obterá as respostas. Às vezes, sob a forma de novas perguntas, mas, assim é a humanidade, não é? Apenas fique parado e tente não se mover. Novamente, não olhar directamente para os espelhos, nem a vela. Apenas para a frente, confie em mim.
Não amarele; você precisa esperar até 4:34. Por volta das 4:34, tudo vai acabar. É normal tremer um pouco, mas tente não fazê-lo. Não que isso a fete o ritual ou qualquer coisa - é só uma coisa ruim de se fazer enquanto está em uma presença tão ilustre.
Há alguns detalhes a que você precisa estar atento.
Detalhe 1: Não deixe o ventilador apagar a vela. Proteja-a com seu corpo.
Detalhe 2: Seu ente querido deve entrar no quarto às 4:34 e chamar seu nome. Se por algum motivo isso não for possível, ele deve ligar para o seu celular. Se isso não funcionar, ele tem o copo de água e o balde.
Detalhe 3: O objecto querido da sua infância vai te mostrar o caminho se algo de errado acontecer.
Você tem que ser corajoso como um escuteiro se você quiser fazer essas coisas. Se começar a fazer tudo sem vontade, faça sem vontade até o final, para que não funcione. O pior que você pode fazer é levar isso suficientemente a sério para que funcione, e não suficientemente a sério para não estar preparado para as consequências.

O ritual dos três reis

Hall estava sentado no banco perto do elevador, o único local no terceiro andar onde um cara trabalhador podia fumar um cigarro, quando Warwick subiu. Não gostou de ver Warwick. O capataz não devia subir ao terceiro andar durante o turno do cemitério, devia permanecer em seu escritório no porão, tomando café da máquina que ficava no canto de sua mesa de trabalho. Além disso, fazia calor.
Era o mais quente mês de junho já registrado em Gates Falls e o termômetro de propaganda da Orange Crush, que também ficava perto do elevador chegara a marcar trinta e quatro graus e meio às três da manhã. Só Deus sabia que inferno era a fábrica no turno de três às onze.
Hall manobrava o abridor, a máquina de abrir os flocos de algodão, uma engenhoca recalcitrante fabricada em 1934 por uma extinta firma de Cleveland. Trabalhava na fábrica apenas desde abril, o que significava que ainda ganhava o salário-piso de 1.78 dólar por hora, que apesar de tudo era bom. Não tinha esposa nem namorada firme, não pagava pensão alimentícia. Era um sujeito errante e durante os três últimos anos havia se mudado de Berkeley (estudante universitário) para Lake Tahoe (mensageiro de hotel), para Galveston (estivador), para Miami (cozinheiro de lanchonete), para Wheeling (motorista de táxi e lavador de pratos), para Gates Falls, no Maine (operador de abridor). Não pretendia mudar-se outra vez até que a neve começasse a cair. Era uma pessoa solitária, e gostava do horário das onze da noite às sete da manhã, quando o fluxo sangüíneo da grande tecelagem passava pelo período mais frio, para não falar na temperatura.
A única coisa de que não gostava eram os ratos.
O terceiro andar era comprido e deserto, iluminado apenas pelo brilho cintilante das lâmpadas fluorescentes. Ao contrário dos demais pavimentos da fábrica, era relativamente silencioso e desocupado - pelo menos por seres humanos. Os ratos eram outra conversa. A única máquina no terceiro pavimento era o abridor; o resto do andar servia para a armazenagem dos fardos de quarenta e cinco quilos de fibras que ainda precisavam passar pela máquina manobrada por Hall. Os fardos eram empilhados como fieiras de lingüiças, em compridas fieiras, alguns deles (em especial os méltons descontínuos e os slipes irregulares para os quais não havia pedidos) com anos de idade e com a suja cor cinza do lixo industrial. Proporcionavam um ótimo local para os ninhos de ratos, criaturas enormes e barrigudas, com olhos rábidos e corpos que pululavam de piolhos e outras pragas.
Hall adquirira o hábito de coletar um pequeno arsenal de latas vazias de refrigerantes durante o intervalo para a refeição. Atirava as latas nos ratos quando o trabalho estava folgado, recuperando-as posteriormente quando bem entendia. Só que desta vez o Sr. Capataz, subindo pela escada em vez de usar o elevador, como o esquivo filho de uma puta que todos o acusavam de ser, apanhou-o em flagrante.
- O que está fazendo, Hall?
- Os ratos - replicou Hall, percebendo o quanto esfarrapada devia parecer a desculpa, agora que todos os ratos estavam seguramente acomodados em seus ninhos. - Jogo as latas neles quando os vejo.
Warwick meneou a cabeça uma vez, lacônico. Era um homem grande e corpulento, com os cabelos cortados à escovinha. Tinha as mangas da camisa arregaçadas e a gravata puxada para o peito. Olhou atentamente para Hall.
- Não lhe pagamos para jogar latas nos ratos, moço. Nem mesmo se tornar a apanhá-las.
- Faz vinte minutos que Harry não manda um pedido - disse Hall, pensando: “Por que, diabo, não fica no escritório tomando café?” - Não posso passar as fibras na máquina sem receber um pedido.
Warwick tornou a menear a cabeça, como se o assunto não mais lhe interessasse.
- Acho que vou dar uma volta e ver como está Wisconsky - respondeu ele. - Aposto cinco contra um que está lendo uma revista enquanto a bosta se acumula no depósito.
Hall permaneceu calado.
Warwick apontou repentinamente:
- Lá está um! Acerte o bastardo!
Com um rápido movimento de braço e mão, Hall jogou a lata que segurava. O rato, que os estivera observando do topo de um fardo de fibras com olhos brilhantes como pelotas de chumbo, fugiu soltando um leve guincho. Warwick atirou a cabeça para trás e soltou uma gargalhada, enquanto Hall ia buscar a lata.
- Vim falar com você a respeito de outra coisa - disse Warwick.
- É mesmo?
- A semana que vem é a semana do Dia da Independência.
Hall confirmou com a cabeça. A fábrica seria fechada de segunda a sábado - uma semana de férias para quem tivesse pelo menos um ano de emprego. Uma semana de folga não remunerada para os que tivessem menos de um ano.
- Quer trabalhar?
Hall sacudiu os ombros:
- Fazendo o quê?
- Vamos limpar todo o pavimento do subsolo. Ninguém toca naquilo há doze anos. Uma sujeira dos diabos. Usaremos mangueiras.
- A comissão municipal de zoneamento está dando duro na diretoria?
Warwick encarou Hall com firmeza:
- Quer trabalhar ou não? Dois dólares por horas, contando tempo dobrado no dia quatro. Trabalharemos no turno do cemitério porque é mais fresco.
Hall calculou. Poderia ganhar setenta e cinco dólares limpos, após descontar os impostos. Melhor que o leite-de-pato que ele esperava.
- Está bem.
- Apresente-se na seção de tinturaria na próxima segunda-feira.
Hall observou o capataz dirigir-se à escada. Warwick parou a meio do caminho e se voltou para encara-lo.
- Você foi universitário, não é mesmo?
Hall confirmou com a cabeça.
- Muito bem, universitário, não me esquecerei disso.
Foi-se.
Hall sentou-se e acendeu outro cigarro, segurando uma lata de soda na mão direita e vigiando à espera de ratos. Podia imaginar bem como seria no subsolo - na verdade o segundo subsolo, abaixo da seção de tinturaria. Úmido, escuro, cheio de aranhas e panos apodrecidos, além do limo infiltrado do rio. Talvez até mesmo morcegos, os aviadores da família dos roedores. Meu Deus!
Hall jogou a lata com força e depois sorriu de leve ao som da voz de Warwick, que chegava pelos condutos presos ao teto, admoestando Harry Wisconsky.
Muito bem, universitário, não me esquecerei disso.
Parou bruscamente de sorrir e apagou o cigarro. Pouco depois, Wisconsky começou a enviar náilon bruto pelos condutos e Hall começou a trabalhar. E, após algum tempo, os ratos saíram das tocas e se postaram em cima dos fardos na extremidade do comprido salão, observando-o com olhos negro que não piscavam. Pareciam um júri.
Segunda-feira, onze horas da noite.
Havia cerca de trinta e seis homens sentados no salão da tinturaria Quando Warwick entrou usando um par de velhas calças de brim enfiadas em botas de borracha de cano alto. Hall estivera escutando Harry Wisconsky, que era imensamente gordo, imensamente preguiçoso e imensamente sombrio.
- Vai ser uma porcaria - dizia Harry quando o Sr. Capataz entrou, - Espere para ver: voltaremos para casa mais negros que a meia-noite na Pérsia.
- Muito bem! - disse Warwick. - Estendemos fios com sessenta lâmpadas lá embaixo, de modo que deve estar bastante claro para vocês verem o que estão fazendo. Vocês aí - apontou para um grupo de homens que se recostavam nas bobinas de secagem -, quero que liguem as mangueiras no cano principal da água, perto da escada. Desenrolem as mangueiras pelos degraus. Temos cerca de setenta metros por homem e isso deve ser o bastante. Não tentem brincar de molhar um companheiro, porque ele pode ir para no hospital. A força da água é uma pancada.
- Alguém vai se machucar - profetizou Wisconsky azedamente. - Espere e verá.
- Vocês outros - continuou Warwick, apontando para o grupo do qual faziam parte Hall e Wisconsky. - Hoje à noite, serão a turma da merda. Entrarão em pares, com um carrinho elétrico para cada equipe. Lá existem móveis de escritório velhos, fardos de fibras, peças de máquinas quebradas, o diabo. Vamos empilhar tudo ao lado do poço de ventilação na extremidade oeste. Alguém não sabe manobrar um carrinho elétrico?
Ninguém levantou a mão. Os carrinhos elétricos eram movidos a baterias e pareciam caminhões basculantes em miniatura. Após uso contínuo, produziam um cheiro nauseabundo que lembrava a Hall fios elétricos em curto-circuito.
- Muito bem - disse Warwick. - Dividiremos o subsolo em seções terminaremos quinta-feira. Na sexta-feira, tiraremos o lixo com um guindaste. Alguma pergunta?
Não houve perguntas. Hall observou atentamente o rosto do capataz e teve a premonição de que algo estranho estava por acontecer. A idéia lhe agradava. Não gostava muito de Warwick.
- Ótimo - disse Warwick. - Mãos à obra.
Terça-feira, duas da manhã.
Hall estava exausto e farto da torrente de obscenidades queixosas emitidas incessantemente por Wisconsky. Imaginou se adiantaria alguma coisa dar-lhe um murro. Duvidou. Só daria mais um motivo para Wisconsky queixar-se.
Hall sabia que ia ser duro, mas, na realidade, era mortal. Em primeiro lugar, não previra o cheiro. O odor poluído do rio, mesclado ao fedor de tecido podre, alvenaria corroída e matéria vegetal putrefacta. No canto mais distante, onde haviam começado, Hall descobrira uma colônia de enormes cogumelos brancos que cresciam por entre as fendas no cimento. Suas mãos entraram em contato com eles quando Hall se esforçava para remover uma grande engrenagem dentada, sentindo os cogumelos curiosamente cálidos e inchados, como a carne de um homem acometido de hidropisia.
As lâmpadas não conseguiram banir a escuridão de doze anos; podiam apenas faze-la recuar um pouco e lançavam um doentio brilho amarelo sobre toda aquela porcaria. O local parecia uma nave devastada de uma igreja profana, com um teto alto e a gigantesca maquinaria abandonada que eles nunca conseguiriam remover, as paredes úmidas marcadas por zonas de musgo amarelado e o coro atonal que era a água das mangueiras correndo na rede de ralos meio entupida que eventualmente desembocava no rio, abaixo das cachoeiras.
E os ratos - enormes, fazendo os ratos do terceiro pavimento parecerem anões. Só Deus sabia o que eles comiam ali embaixo. Os homens reviravam constantemente tábuas e fardos, deixando à mostra imensos ninhos de papel rasgado, observando com repulsa atavística os filhotes fugirem para se ocultarem nas fendas e cantos, os olhos dilatados e cegos pela perene escuridão.
- Vamos parar para um cigarro - disse Wisconsky.
Parecia sem fôlego, embora Hall não fizesse idéia do motivo; o gordo passara a noite inteira embromando. Mesmo assim, já era tempo e eles estavam fora do campo visual dos outros.
- Está bem.
Recostando-se na quina do carrinho elétrico, Hall acendeu um cigarro.
- Eu nunca deveria ter deixado Warwick convencer-me a fazer isso - declarou lamentosamente Wisconsky. - Não é trabalho para um homem. Mas ele estava zangado, na outra noite, quando me pegou de calças na privada do quarto andar. Cristo, como ficou furioso!
Hall ficou calado. Estava pensando em Warwick e nos ratos. Era estranho como as duas coisas se ligavam. Durante sua longa estadia no subsolo da fábrica, os ratos pareciam ter esquecido tudo a respeito dos homens; mostravam-se atrevidos e quase destemidos. Um deles se sentara nas patas traseiras, como um esquilo, até que Hall chegou à distância de dar-lhe um pontapé; então o animal atacou a bota de Hall, mordendo o couro. Centenas, talvez milhares de ratos. Hall tentou imaginar quantas espécies de moléstias eles carregavam consigo naquele buraco negro. E Warwick, algo a seu respeito...
- Preciso do dinheiro - disse Wisconsky. - Mas, Jesus Cristo, meu chapa, isto não é trabalho para homem. Esses ratos - olhou temerosamente em volta. - Parece até que eles pensam. Até imagino como seria se eles fossem grandes e nós pequenos...
- Ora, cale a boca - disse Hall.
Wisconsky o encarou, ofendido.
- Bem, desculpe, meu chapa. É apenas que...
Interrompeu-se por um instante.
- Porra, como fede este lugar! - exclamou de repente. - Isto não é tipo de trabalho para homem!
Uma aranha rastejou pela beirada do carrinho e lhe subiu pelo braço. Ele a jogou longe com um tapa, emitindo um som engasgado de nojo.
- Vamos - disse Hall, apagando o cigarro. - Quanto mais rápido, melhor.
- Acho que sim - disse Wisconsky, desanimado. - Acho que sim.

Terça-feira, quatro horas da manhã.
Hora do lanche.
Hall e Wisconsky sentaram-se com três ou quatro outros homens, comendo seus sanduíches com mãos negras que nem mesmo o detergente industrial era capaz de limpar. Hall comia olhando para o pequeno escritório envidraçado do capataz. Warwick tomava café e comia hambúrgueres frios com grande prazer.
- Ray Upson teve que voltar para casa - disse Charlie Brochu.
- Vomitou? - indagou alguém. - Eu quase vomitei.
- Não. Ray seria capaz de comer bosta de vaca sem vomitar. Foi mordido por um rato.
Hall abandonou pensativamente sua contemplação de Warwick.
- É mesmo? - perguntou.
- É - disse Brochu, sacudindo a cabeça. - Fazia equipe comigo. Foi a coisa mais maldita que já vi. O rato pulou de um buraco num daqueles velhos fardos de pano. Era quase do tamanho de um gato. Mordeu a mão de Ray e começou a roê-la.
- Meu Deus - disse um dos homens, parecendo ficar verde.
- Isso mesmo - continuou Brochu. - Ray berrou como uma mulher e não o culpo. Sangrava como um porco. E o rato largou? Não, senhor. Tive que bater nele três ou quatro vezes com uma tábua, antes que largasse. Ray ficou quase maluco. Pisoteou o rato até que ele não passava de uma massa peluda. A coisa mais maldita que já vi. Warwick fez um curativo e mandou Ray para casa. Disse-lhe para ir ao médico amanhã.
- Muita bondade do filho da puta - comentou alguém.
Como se tivesse escutado, Warwick levantou-se no escritório, espreguiçou-se e veio até a porta.
- É hora de voltar ao trabalho.
Os homens se ergueram vagarosamente, gastando o maior tempo possível para guardarem as marmitas, tomarem refrigerantes e comprarem barras de chocolate. Então começaram a descer, os saltos batendo desanimadamente na estrutura de aço da escada.
Warwick passou por Hall, dando-lhe uma palmada no ombro.
- Como vai indo, universitário?
Não esperou resposta.
- Vamos - disse Hall, paciente, a Wisconsky, que atava os cordões da bota.
Desceram juntos.
Terça-feira, sete horas da manhã.
Hall e Wisconsky saíram juntos; Hall tinha a impressão de haver, de algum modo, herdado o gordo polaco. Wisconsky estava quase comicamente imundo, a gorda cara de bobo manchada como a de um garotinho que acaba de levar uma surra do fanfarrão da vizinhança.
Por parte dos outros homens, não havia as brincadeiras grosseiras de costume, o puxar das fraldas de camisa, as piadas a respeito de quem estaria aquecendo a esposa de Tony entre uma e quatro horas da manhã. Nada senão o silêncio e o ocasional pigarro antes de alguém cuspir na calçada.
- Quer uma carona? - ofereceu Wisconsky.
- Obrigado.
Não falaram ao subirem a Mill Street e atravessarem a ponte. Trocaram apenas uma rápida palavra quando Wisconsky deixou Hall em frente ao apartamento.
Hall foi diretamente para o chuveiro, ainda pensando em Warwick, tentando descobrir o que havia a respeito do Sr. Capataz que o atraía, fazendo-o sentir que, de alguma maneira, tinham-se ligado um ao outro.
Quarta-feira, uma hora da manhã.
Era melhor trabalhar com as mangueiras.
Não podiam entrar até que a turma da merda terminasse uma seção e, com muita freqüência, acabavam o serviço antes que a turma limpasse a seção seguinte - o que significava folga para fumar um cigarro. Hall manipulava o esguicho de uma das compridas mangueiras e Wisconsky corria para frente e para trás, desenrolando pedaços da mangueira, abrindo e fechando a água, removendo obstruções.
Warwick estava irritado porque o trabalho estava avançando com lentidão. Do jeito que as coisas iam, eles jamais terminariam o serviço na Quinta-feira.
Agora, trabalhavam numa confusa mistura de equipamentos de escritório do século passado que estavam empilhados em um canto - escrivaninhas de tampo corrediço, armários apodrecidos, livros de registros carcomidos, resmas de faturas, cadeiras quebradas - e eram um paraíso para os ratos. Dezenas deles guinchavam e corriam através de passagens escuras e loucas que formavam um labirinto no monturo e depois que dois homens foram mordidos os demais recusaram-se a trabalhar até que Warwick mandou alguém subir para buscar pesadas luvas de borracha, do tipo normalmente reservado para as turmas de tinturaria, que precisavam trabalhar com ácidos.
Hall e Wisconsky aguardavam a hora de entrar com a mangueira quando um homem de cabelos claros e pescoço de touro, chamado Carmichael, começou a berrar imprecações e a recuar, batendo no peito com as mãos enluvadas.
Um enorme rato com pêlo manchado de cinza e enormes olhos furiosos mordera-o através da camisa e se pendurara ali, guinchando e esperneando as patas traseiras na barriga de Carmichael. Afinal, Carmichael atirou-o longe com um soco, mas sua camisa apresentava um grande buraco, do qual um filete de sangue escorria acima de uma das mamas. A fúria desapareceu do rosto de Carmichael. Este virou a cabeça e vomitou.
Hall voltou o jato da mangueira contra o rato, que era velho e se movimentava devagar, um pedaço da camisa de Carmichael ainda preso nos dentes. A tremenda pressão jogou-o para trás, de encontro à parede, onde o animal ficou inerte.
Warwick se aproximou, com um sorriso estranho e forçado nos lábios. Deu ma palmada no ombro de Hall.
- Muito melhor que atirar latas vazias nos pequenos bastardos, não é mesmo, universitário?
- E que pequeno bastardo - comentou Wisconsky. - Tem quase quarenta centímetros de comprimento.
- Aponte essa mangueira para lá - disse Warwick, indicando o monte de móveis. - Vocês aí, saiam da frente!
- Com muito prazer - resmungou alguém.
Carmichael avançou para Warwick, o rosto contorcido e enojado.
- Vou exigir uma indenização por isto! Vou...
- Claro - disse Warwick, sorrindo. - Foi mordido na testa. Saia do caminho antes que esse jato o esmague.
Hall apontou a mangueira e abriu o esguicho. A água bateu nos móveis com uma explosão branca de respingos, derrubando uma escrivaninha e despedaçando duas cadeiras. Os ratos correram para todos os lados, maiores do que quaisquer outros que Hall já vira. Hall podia ouvir os homens gritando de nojo e pavor ao verem os animais fugirem, criaturas com olhos enormes e corpos gordos. Hall avistou um que parecia do tamanho de um saudável cãozinho de seis semanas. Continuou a lançar o jato até não conseguir enxergar mais nada. Então fechou o esguicho.
- Muito bem! - Bradou Warwick. - Vamos em frente!
- Não fui contratado como exterminador de ratos! - exclamou com rebeldia Cy Ippeston.
Hall tomara alguns tragos com ele na semana anterior. Era jovem, usando uma camisa olímpica e um boné de beisebol manchado de sujeira.
- É você, Ippeston? - indagou Warwick cordialmente.
Ippeston pareceu vacilar, mas avançou.
- Sim. Não quero mais nada com esses ratos. Fui contratado para fazer limpeza, não para pegar hidrofobia, tifo ou algo assim. Acho melhor não contar mais comigo.
Murmúrios de assentimento partiram dos demais. Wisconsky lançou um rápido olhar de esguelha a Hall, mas este examinava o bico do esguicho. Tinha o calibre de uma pistola 45 e provavelmente era capaz de atirar um homem a seis metros de distância.
- Está dizendo que quer bater o cartão de ponto, Ippeston?
- Estou pensando em fazer isso - respondeu Ippeston.
Warwick meneou a cabeça.
- Está certo. Você e quem mais quiser. Mas isto não é uma fábrica sindicalizada, nunca foi. Batam o cartão de saída agora e nunca mais baterão a entrada. Tomarei providências para isso.
- Você é mesmo durão - murmurou Hall.
Warwick girou nos calcanhares.
- Disse alguma coisa, universitário?
Hall encarou-o calmamente.
- Apenas pigarreei, Sr. Capataz.
Warwick sorriu.
- Alguma coisa não lhe agrada?
Hall permaneceu calado.
- Muito bem, vamos em frente! - berrou Warwick.
Voltaram ao trabalho.
Quinta-feira, duas horas da manhã.
Hall e Wisconsky trabalhavam novamente com os carrinhos elétricos, recolhendo o lixo. A pilha junto ao poço de ventilação do lado oeste alcançara proporções espantosas, mas ainda não estavam na metade do serviço.
- Feliz Quatro de Julho - disse Wisconsky quando fizeram uma pausa para fumar.
Estavam trabalhando juntos à parede norte, longe da escada. A iluminação era extremamente reduzida e algum fenômeno de acústica fazia os outros homens parecerem estar a quilômetros de distância.
- Obrigado - disse Hall, tirando uma tragada. - Não vi muitos ratos esta noite.
- Ninguém viu - respondeu Wisconsky. - Talvez tenham ficado espertos.
Estavam de pé na extremidade de um beco que traçava um ziguezague maluco por entre pilhas de velhos livros de registros e faturas, sacos apodrecidos de tecidos e dois enormes teares planos de tipo muito antigo.
- Porra! - disse Wisconsky, cuspindo no chão. - Aquele Warwick...
- Para onde você acha que foram todos os ratos? - indagou Hall, quase falando consigo mesmo. - Não para dentro das paredes...
Olhou o reboco molhado e rachado que recobria as enormes pedras dos alicerces.
- Morreriam afogados. O rio saturou tudo.
Algo negro e esvoaçante lançou-se de repente sobre eles, como um avião de bombardeio de mergulho. Wisconsky berrou e protegeu a cabeça com as mãos.
- Um morcego - disse Hall, observando o animal enquanto Wisconsky se endireitava.
- Um morcego! Morcego! - vociferou Wisconsky. - O que faz um morcego no porão? Eles costumam ficar nas árvores e sob os beirais dos telhados, ou...
- Era um dos grandes - disse Hall em tom manso. - E o que é um morcego senão um rato com asas?
- Meu Deus! - gemeu Wisconsky. - Como ele...
- Entrou aqui? Talvez da mesma maneira que os ratos saíram.
- O que está acontecendo aí? - berrou Warwick de algum ponto atrás deles. - Onde estão vocês?
- Calma - disse Hall em voz baixa, os olhos faiscando no escuro.
- Foi você quem falou, universitário? - quis saber Warwick, parecendo mais próximo.
- Tudo bem! - berrou Hall. - Dei uma canelada!
Warwick soltou uma risada curta, semelhante a um latido.
- Quer uma condecoração?
Wisconsky fitou Hall:
- Por que disse isso?
- Olhe - respondeu Hall, ajoelhando-se e riscando um fósforo.
Havia um quadrado no meio do cimento molhado e rachado.
- Bata.
Wisconsky obedeceu.
- É madeira.
Hall confirmou com a cabeça.
- É o topo de um suporte. Já vi outros por aqui. Existe outro pavimento sob esta parte do porão.
- Meu Deus! - exclamou Wisconsky totalmente enojado.
Quinta-feira, três e meia da manhã.
Estavam no canto nordeste, Ippeston e Brochu atrás deles com uma das mangueiras de alta pressão, quando Hall parou e apontou para o chão.
- Ali está. Eu previa que encontraríamos.
Havia um alçapão de madeira, com um anel de ferro no centro, incrustado de ferrugem.
Hall voltou até onde estava Ippeston e disse:
- Feche a mangueira um minuto.
Quando o jato se reduziu a um filete de água, Hall ergueu a voz num grito:
- Ei! Ei, Warwick! Acho melhor vir até aqui um instante!
Warwick chegou patinhando na lama, encarando Hall com aquele mesmo sorriso duro nos olhos.
- O nó de sua bota se desfez, universitário?
- Veja - replicou Hall, dando um pontapé no alçapão. - Outro subsolo, embaixo deste.
- E daí? - redargüiu Warwick. - Não é hora de intervalo, uni...
- É lá que estão os nossos ratos - interrompeu Hall. - Estão procriando lá embaixo. Wisconsky e eu vimos até um morcego, há pouco.
Alguns dos outros se haviam reunido em torno e olhava para o alçapão.
- Não importa - declarou Warwick. - Nosso serviço era limpar o porão, não...
- Você precisará pelo menos de vinte exterminadores bem treinados - interrompeu Hall. - Vai custar uma boa nota para a diretoria. Que pena.
Alguém riu:
- Duvido que gastem um centavo.
Warwick olhou para Hall como se este fosse um inseto sob a lente de um microscópio.
- Você é mesmo um caso sério, sem dúvida - comentou, parecendo fascinado. - Acha que me importa quantos ratos existem sob o porão?
- Estive na biblioteca esta tarde e ontem também - replicou Hall. - Foi ótimo você me lembrar de que fui um universitário. Li as leis de zoneamento da cidade, Warwick - foram promulgadas em 1911, antes que esta empresa fosse bastante grande para subornar as comissões de zoneamento. Sabe o que descobri?
Os olhos de Warwick adquiriram um brilho frio.
- Vá passear, universitário. Está despedido.
- Descobri - prosseguiu Hall, como se não houvesse escutado - que existe em Gates Falls uma lei de zoneamento referente aos animais daninhos. Soletra-se d-a-n-i-n-h-o-s, caso você não tenha certeza. Isso significa animais que são portadores de moléstias, como morcegos, gambás, cães não vacinados... e ratos. Especialmente os ratos. Sr. Capataz, os ratos são mencionados quatorze vezes em apenas dois artigos da lei. Portanto, acho melhor você ter em mente que no minuto em que eu bater o cartão de saída irei diretamente ao comissário municipal para revelar qual é a situação aqui.
Fez uma pausa, saboreando o rosto congestionado de ódio do rosto do capataz.
- Creio que, entre ele, eu e a comissão municipal, poderemos interditar a fábrica. Ficarão fechados muito além de sábado, Sr. Capataz. E tenho um bom palpite sobre o que seu patrão vai dizer quando tomar conhecimento. Espero que esteja em dia com sua apólice de seguro de desemprego, Warwick.
As mãos de Warwick se crisparam em garras.
- Seu fedelho, eu devia...
Olhou para o alçapão e, de repente, seu sorriso reapareceu.
- Considere-se readmitido, universitário.
- Julguei que você acabaria vendo a luz.
Warwick meneou a cabeça, o mesmo sorriso estranho no rosto.
- Você é muito esperto. Acho que talvez deva descer até lá, Hall, a fim de termos alguém de nível universitário para fornecer-nos uma opinião abalizada. Você e Wisconsky.
- Eu não! - exclamou Wisconsky. - Eu não, eu...
Warwick o encarou:
- Você o quê?
Wisconsky calou-se.
- Ótimo - disse Hall alegremente. - Precisaremos de três lanternas elétricas. Acho que vi uma prateleira cheia de lanternas de seis pilhas no escritório central, não é mesmo?
- Quer levar mais alguém? - indagou Warwick, expansivo. - Claro, pode escolher seu homem.
- Você - disse suavemente Hall, a estranha expressão retornando ao seu rosto. - final, a empresa deve estar representada, não acha? Só para que eu e Wisconsky não vejamos ratos demais lá embaixo?
Alguém (soava como Ippeston) riu alto.
Warwick fitou cuidadosamente os homens. Afinal, apontou para Brochu:
- Brochu, vá até o escritório e traga três lanternas. Diga ao vigia que lhe dei permissão para entrar.
- Por que me meteu nisso? - lamentou-se Wisconsky para Hall. - Você sabe que detesto aqueles...
- Não fui eu - disse Hall, voltando o olhar para Warwick.
Warwick o encarou e nenhum dos dois desviou o olhar.
Quinta-feira, quatro horas da manhã.
Brochu voltou com as lanternas. Entregou uma a Hall, uma a Wisconsky e outra a Warwick.
- Ippeston! Entregue a mangueira a Wisconsky.
Ippeston obedeceu. O esguicho tremia ligeiramente nas mãos do polonês.
- Muito bem - disse Warwick a Wisconsky. - Você vai no meio.Se houver ratos, água neles.
Claro, pensou Hall. E se houver ratos, Warwick não os verá. E Wisconsky também não, depois de encontrar dez dólares extras no envelope do pagamento.
Warwick apontou para dois dos homens.
- Abram.
Um deles se abaixou sobre o anel de ferro e puxou. Por um instante, Hall chegou a pensar que o alçapão não cederia; então, a tampa de madeira se soltou com um ruído estranho. O outro homem enfiou os dedos pelo lado inferior do alçapão, a fim de ajudar a levanta-lo. Recuou com um grito. As mãos estavam cobertas de enormes besouros cegos.
Com um grunhido convulsivo, o homem que segurava o anel de ferro puxou a tampa do alçapão e largou-a no chão. O lado inferior estava negro de um fungo esquisito que Hall nunca vira antes. Os besouros caíram no buraco escuro ou correram pelo chão para serem esmagados pelos outros homens.
- Vejam - disse Hall.
Havia um fecho enferrujado, agora partido, preso ao lado inferior.
- Mas não devia estar por baixo - disse Warwick. - Devia ser em cima. Por que...
- Por muitos motivos - interrompeu Hall. - Talvez para que ninguém desse lado conseguisse abrir - pelo menos enquanto o fecho era novo. Talvez para que nada do outro lado pudesse subir.
- Mas quem o trancou? - quis saber Warwick.
- Ah! - disse Hall, zombeteiro, fitando Warwick. - Um mistério.
- Escutem - sussurrou Brochu.
- Oh, meu Deus - soluçou Wisconsky. - Não descerei!
Era um ruído suave, quase em expectativa; o leve arranhar de milhares de patas, os guinchos dos ratos.
- Talvez sejam sapos - disse Warwick
Hall riu alto.
Warwick acendeu a lanterna e apontou o facho para o buraco.
Velhos degraus de uma escada quase podre levavam às pedras negras do chão do porão inferior. Não havia um só rato à vista.
- Os degraus não agüentarão nosso peso - declarou Wisconsky em tom decisivo.
Brochu avançou dois passos e pulou no primeiro degrau. A madeira rangeu, mas não deu sinal de ceder.
- Não lhe pedi para fazer isso - disse Warwick.
- Você não estava lá quando aquele rato mordeu Ray - replicou Brochu em voz baixa.
- Vamos - disse Hall.
Warwick lançou um último olhar sardônico ao círculo de homens e depois se encaminhou à beira do buraco com Hall. Wisconsky colocou-se relutantemente entre os dois. Desceram um de cada vez, primeiro Hall, depois Wisconsky e, finalmente Warwick. Os fachos das lanternas percorriam o chão, que se erguia e baixava numa série louca de vales e montanhas. A mangueira vinha atrás de Wisconsky como uma serpente desajeitada.
Quando chegaram ao fundo, Warwick fez um círculo com o facho da lanterna. A luz incidiu em alguns caixotes podres, uns poucos barris e pouca coisa além disso. A água que se infiltrava do rio formava poças que chegavam até o início dos canos das botas dos três homens.
- Não escuto mais os ratos - murmurou Wisconsky.
Afastaram-se lentamente da escada, os pés escorregando no limo. Hall parou e iluminou com a lanterna uma enorme caixa de madeira com letras gravadas.
- Elias Varney, 1841 - leu ele em voz alta. - A fábrica era aqui naquela época?
- Não - respondeu Warwick. - Só foi construída em 1897. Qual é a diferença?
Hall não respondeu. Continuaram a avançar. O subporão era mais comprido do que deveria ser, ao que parecia. O mau cheiro era mais forte, um odor de podridão e coisas enterradas. Ainda assim, o único som era o leve pingar de água, como numa caverna.
- O que é aquilo? - perguntou Hall, apontando seu facho para um ressalto de concreto que se projetava pouco mais de meio metro para o interior do porão. Além dele a escuridão continuava e Hall teve a impressão de que agora conseguia ouvir sons estranhamente furtivos.
Warwick observava atentamente o ressalto.
- É... não, não pode ser.
- A parede externa da fábrica, não é? E lá na frente...
- Vou voltar - disse Warwick, girando subitamente nos calcanhares.
Hall agarrou-lhe bruscamente o pescoço.
- Não vai a parte alguma, Sr. Capataz.
Warwick o encarou, o sorriso cortando a escuridão.
- Você está maluco, universitário. Não é mesmo? Louco varrido.
- Você não devia pressionar as pessoas, amigo. Vamos em frente.
Wisconsky gemeu:
- Hall...
- Me dá isso - interrompeu Hall, agarrando a mangueira.
Largou o pescoço de Warwick e apontou o esguicho da mangueira para a cabeça do capataz. Wisconsky deu uma bruta meia-volta e correu para a escada. Hall nem mesmo se voltou.
- Você na frente, Sr. Capataz.
Warwick avançou, passando sob o local onde a fábrica terminava acima do solo. Hall correu o facho da lanterna em volta de si e sentiu uma fria satisfação - premonição concretizada: os ratos tinham fechado o círculo em torno deles, silenciosos como a morte. Agrupavam-se, fileira após fileira. Milhares de olhos os observavam avidamente, em fileiras que iam até as paredes, alguns chegando à altura das canelas de um homem.
Warwick os avistou um segundo depois e estacou.
- Estamos cercados, universitário.
Sua voz era calma, ainda controlada, mas tinha um toque de inquietação.
- Sim - replicou Hall. - Vamos em frente.
Avançaram, arrastando a mangueira atrás de si. Hall lançou um olhar à retaguarda e viu que os ratos haviam cerrado fileiras, cortando-lhes a retirada e começando a roer a pesada lona externa da mangueira. Um dos animais olhou para cima e pareceu quase sorrir para Hall antes de recomeçar a roer. Agora, Hall também podia ver os morcegos. Pendiam das enormes vigas de sustentação - morcegos grandes, do tamanho de corvos ou gralhas.
- Veja - disse Warwick, focalizando a lanterna cerca de um metro e meio à frente.
Uma caveira, verde de limo, ria para eles. Mais adiante Hall pôde ver um cúbito, um pedaço de pélvis, parte de uma caixa torácica.
- Continue andando - ordenou Hall.
Sentia algo explodir dentro de si, algo lunático, de cores escuras. Você vai estourar antes de mim, Sr. Capataz, juro por Deus.
Passaram pelos ossos. Os ratos não os acuavam; pareciam manter uma distância constante. Lá na frente, um deles atravessou o caminho seguido pelos dois homens. As sombras o esconderam, mas Hall viu de relance um rabo rosado e vibrante, da grossura de um fio telefônico.
Mais adiante, o chão subia bruscamente e depois descia. Hall podia ouvir o som de um roçar furtivo, de algo grande. Algo que talvez nenhum homem vivo já tivesse visto. Ocorreu-lhe que talvez estivesse procurando por algo como aquilo durante todos os seus dias de louca vida nômade.
Os ratos se aproximavam, rastejando sobre os ventres, forçando-os a avançar.
- Olhe - disse friamente Warwick.
Hall olhou e viu. Algo acontecera aos ratos naquele lugar, alguma hedionda mutação que jamais poderia ter sobrevivido à luz do sol; a natureza impediria. Mas ali a natureza assumira uma outra face, medonha.
Os ratos eram gigantescos; alguns chegavam a quase um metro de altura. Mas não tinham pernas traseiras e eram cegos como toupeiras ou seus primos voadores, os morcegos. Arrastavam-se para diante com horrível avidez.
Warwick virou-se e olhou para Hall, o sorriso pregado ao rosto por pura força de vontade. Hall foi obrigado a realmente admira-lo.
- Não podemos prosseguir, Hall. Deve compreender isso.
- Creio que os ratos têm negócios a tratar com você. - replicou Hall.
O controle de Warwick escorregou.
- Por favor - disse ele. - Por favor.
Hall sorriu:
- Continue andando.
Warwick olhou por cima do ombro.
- Estão roendo a mangueira. Quando a furarem, jamais voltaremos.
- Eu sei. Continue andando.
- Você está louco...
Um rato passou por cima da bota de Warwick e este gritou. Hall sorriu e gesticulo com a lanterna. Havia ratos por todos os lados, os mais próximos, agora, a menos de meio metro.
Warwick recomeçou a andar. Os ratos recuaram.
Chegaram à elevação em miniatura e olharam para baixo. Warwick chegou primeiro e Hall viu-lhe o rosto ficar branco como papel. A baba lhe escorria pelo queixo.
- Oh, meu Deus! Oh, meu amado Jesus!
E virou-se para fugir.
Hall abriu o esguicho da mangueira e o jato de água sob alta pressão atingiu Warwick diretamente no peito, lançando-o para fora do campo visual de Hall. Houve um prolongado grito que se elevou acima do barulho da água. Sons de alguém se debatendo.
- Hall!
Grunhidos. Um grande e tenebroso guincho que pareceu encher a terra.
- HALL, PELO AMOR DE DEUS...
Um repentino barulho molhado de algo sendo rasgado. Outro grito, mais fraco. Algo enorme mexeu e virou-se. Hall escutou bem nitidamente o barulho de um osso se quebrando.
Um rato sem pernas, guiado por alguma forma bastarda de sonar, lançou-se sobre ele, mordendo. O corpo era flácido e morno. Quase distraidamente, Hall virou o esguicho contra o rato, lançando-o longe. Agora, a mangueira já não tinha a mesma pressão.
Hall avançou até o topo da pequena elevação e olhou para baixo.
O rato enchia toda a ravina na extremidade oposta daquela tumba mefítica. Era cinzento, enorme e pulsante, sem olhos, totalmente sem pernas. Quando o facho da lanterna de Hall o atingiu, ele emitiu um horrível som de miado. A rainha dos ratos, então, a magna mater. Uma coisa imensa e inominável, cuja progênie algum da talvez desenvolvesse asas. Fazia com que os restos de Warwick parecessem os de um anão, mas aquilo provavelmente não passava de uma ilusão. Talvez fosse o choque de ver um rato tão grande quanto um gato Holstein.
- Adeus, Warwick - disse Hall.
O rato curvou-se sobre o Sr. Capataz, despedaçando-lhe um braço inerte.
Hall deu meia-volta e começou a regressar rapidamente à escada, parando os ratos com o jato da mangueira, que se tornava cada vez menos potente. Alguns ratos conseguiram romper o bloqueio e davam botes para morde-lo acima do cano das botas. Um pendurou-se teimosamente em sua coxa, os dentes penetrando através das grossas calças de lona. Hall cerrou o punho e o atirou para um lado com o murro.
Já refizera quase três quartos do caminho quando o forte barulho de asas encheu a escuridão. Ergueu a cabeça e a gigantesca forma voadora atingiu-lhe o rosto.
Os morcegos mutantes ainda não haviam perdido o rabo. A cauda se enroscou no pescoço de Hall como uma cobra repulsiva e apertou, enquanto os dentes procuravam o ponto macio sob seu pescoço. O animal se contorcia e batia as asas membranosas, agarrando os trapos da camisa para firmar-se.
Hall ergueu o esguicho da mangueira e golpeou repetidamente o corpo do monstro. Este caiu e Hall o pisoteou, percebendo vagamente que estava gritando. Os ratos subiram como uma torrente pelos pés e pernas.
Hall começou a correr aos tropeções, livrando-se de alguns deles. Os outros mordiam-lhe a barriga e o peito. Um subiu até o ombro e enfiou o focinho no ouvido de Hall.
Então, Hall esbarrou no segundo morcego. Este pousou na cabeça de Hall por um instante, guinchando, e depois voou, levando consigo um pedaço de couro cabeludo.
Hall sentiu o corpo ficar dormente, os ouvidos cheios dos guinchos de milhares de ratos. Deu um último arranco, tropeçou em corpos peludos e caiu de joelhos. Começou a rir, um som agudo, gritante.
Quinta-feira, cinco horas da manhã.
- Acho melhor alguém descer - disse Brochu, hesitante.
- Eu não - sussurrou Wisconsky. - Eu não.
- Não, você não, seu covardão - replicou Ippeston desdenhosamente.
- Bem, vamos - disse Brogan, trazendo outra mangueira. - Eu, Ippeston, Dangerfield, Nedeau. Stevenson, vá ao escritório buscar mais lanternas.
Ippeston olhou para o buraco escuro, pensativo.
- Talvez tenham parado para fumar um cigarro - disse ele. - Alguns ratos... que diabo.
Stevenson voltou, trazendo as lanternas; pouco depois, eles começaram a descer.
Sexta-feira, duas horas da manhã.

fonte:   http://www.flogao.com.br/rachelmoranguinho/blog/351587

turno do cemiterio - stephen king

sábado, 26 de novembro de 2016

O Jogo de Banho ou "Daruma-san" é um paranormal que se originou no Japão. O jogo envolve a convocação de um fantasma grotesco que ira segui-lo todos os dias. O objetivo do jogo é fugir do fantasma e impedi-lo de pegar você.

Mas atenção: Aconselhamos a não jogar o jogo do banho. Dizem que jogar Daruma-san pode resultar em coisas muito ruins que acontecem com você.


Instruções do jogo:

    1-Antes de ir para a cama à noite, tire a roupa e vá para o banheiro.
    2-Ligue o chuveiro e desligue as luzes.
    3-Entre em baixo do chuveiro de frente para as torneiras na parede.
    4-Lave o cabelo enquanto repete as palavras "Daruma-san levante. Daruma-san levante."
    5-Enquanto você lava seu cabelo, em sua mente você deve ver uma imagem de uma mulher japonesa de pé em algum banheiro. Ela escorrega para frente e bate a cabeça contra a torneira enferrujada. A torneira fura o seu olho e a mata.
    6-Continue repetindo as palavras "Daruma-san levante. Daruma-san levante." até terminar de lavar o cabelo. Seus olhos devem permanecer fechados.

Você irá ouvir ou sentir um leve movimento no banheiro atrás de você. Mantenha os olhos fechados. Não espie. Você acabou convocar um fantasma.

A figura fantasmagórica de uma mulher vai se levantar para fora da poça de água atrás de você. Você vai se sentir a presença dela olhando para você, com a cabeça atrás de seu ombro direito. O cabelo dela é preto e emaranhado. Suas roupas estão esfarrapadas e apodrecidas. Ela tem apenas um olho. Seu olho esquerdo está aberto. Seu olho direito está faltando, deixando apenas um soquete de olho sangrento e oco.

Quando você sentir a presença do fantasma, diga em voz alta: "Por que você caiu no banho?"

Mantenha seus os olhos bem fechados, desligue o chuveiro, saia do banho. Tenha cuidado para não tropeçar e cair. Imediatamente deixe o banheiro e feche a porta atrás de você. Agora é seguro para abrir seus olhos. Não se enxugue nem se vista. Apenas vá dormir.

Na manhã seguinte, quando você acordar é que o jogo vai começar. O fantasma da mulher de um olho só vai seguir você. Sempre que você se virar para olhar, ela desaparecerá. Durante todo o dia, quando você olhar por cima do ombro direito, você poderá ocasionalmente ver um vislumbre dela. Ela vai ficar cada vez mais perto conforme o dia passa. Não deixe que ela te pegar.

Se você olhar por cima do ombro e ver que ela está muito perto, você deve gritar "Tomare!" que significa "Pare!" Em seguida, fuja o mais rápido possível. Isso permitirá que você se distêncie da mulher de um olho só.

Para terminar o jogo, você deve ver o vislumbre da mulher fantasmagórica e gritar "Kittá!" que significa "Eu te liberto!" Em seguida, mantenha a sua mão na frente de você e balance para baixo em um movimento de corte (como um golpe de caratê ).

Você deve terminar o jogo antes da meia-noite. Caso contrário, a mulher de um olho só vai aparecer em seus sonhos e segui-lo eternamente.

Existe algumas regras para este jogo:

    Não abra seus olhos quando o fantasma aparecer na invocação.
    Não permita que o fantasma tropece quando você sair do banho.
    Não volte ao banheiro depois de sair.
    Não se enxugue quando sair do banho.
    Não permita que a mulher de um olho só alcance você.

Um último conselho:

Não jogue este jogo. É muito perigoso. Convocando fantasmas pode resultar em você seja possuído por um demônio ou morrer de uma forma horrível. Você também pode tropeçar e cair no banheiro e ferir gravemente ou até se matar. Se você não conseguir terminar o jogo corretamente, o fantasma poderá continuar a te seguir para o resto de sua vida. Não jogue este jogo.

o jogo do banho



                  Quando você for dormir vai apenas me escutando a minha voz, feche as janelas, feche as portas e vá-se deitar.
                  você está sozinho e não tem ninguém a viver consigo, comece apenas plenamente o som do silencio, no meio da noite você começa a ouvir um ruído chiando na sua madeira de casa aconteça o que acontecer não abra os olhos. um momento depois deixa de ouvir o som, depois começa a porta batendo pum pum pum pum!!1, não faça nada, lembra-te não abras os olhos.
                  Os vidros começam a fazer barulho batendo como na porta, você presente algo mas não respire desta vez nem abra os olhos, o vidro vai começando fazendo mais barulho e ai é que você percebe que é uma pessoa batendo mais forte, pum pum!! não abra os olhos pum pum pum!!! por mais alto que seja PUM PUM PUM!!.
                  Ele se cansa e no entanto você pensa que ele se já foi embora mas está enganado assim enquanto a escuridão lhe consome.

                                                         

       
                                                               

Não abra

Em cada cidade grande, há uma casa da qual nenhum documento oficial existe, e cuja as janelas foram cobertas por mais tempo que qualquer cidadão possa se lembrar. Os últimos moradores, se é que um dia foi ocupada, são Irrastreáveis, e nenhuma organização ou individuo vai tentar reivindicar as terras na qual se encontra.


No entanto, quando você invadi-la - sempre por uma janela encostada no chão na parte traseira da casa; você não deve tocar nas portas externas - você verá, entre a poeira, sinais de moradores antigos. Uma caixa de papelão achatada, um berço de cabeça para baixo, remendos no carpete onde estivera desgasto. Invariavelmente, você verá um colchão de casal sozinho no quarto principal. No entanto, o que não presenciará ratos, baratas ou resíduos de quaisquer outros animais. Bichos são espertos o suficiente para saber que não devem ir para lá.

Estes são os espaços sagrados Dela.

A primeira vez que for visitar, traga consigo só o que precisa para entrar na casa. Então localize o quarto principal, fique de pé no centro, e desenhe um círculo completo na poeira debaixo de seus pés. Faça com mais ou menos um metro de diâmetro para ficar a salvo.

Fique de frente para a porta e diga em voz alta: "Desejo fazer um sacrifício. Você vai acolher a oferta?"

Então saia o mais rápido possível. Você não deve retornar até que a noite seguinte tenha caído.

Desta vez traga pregos, um martelo, uma garrafa de litro vazia, algo , uma faca afiada e resistente, e uma lampião. Lembra do colchão no quarto principal? Alguém estará dormindo lá. Não se preocupe em acordá-lo; Ela já terá cuidado disso para você. Vire a pessoa para que esteja deitado de costas e corte sua veia jugular, se certificando de coletar o máximo de sangue possível.

Você precisará derramar um pouco do sangue no chão de cada peça da casa, incluindo o principal, mas certifique-se de guardar um pouco para o final. Quando terminar, saia pelo mesmo lugar que entrou, e pregue as tábuas de volta (é para isso que o martelo e os pregos vão servir). Caminhe para casa. Não fale com ninguém no caminho. Quando chegar lá, derrame o restante do sangue na sua mão direita e manche-a na maçaneta da sua porta antes de entrar. Então vá para cama.

Se sobrar sangue, você tem que derramar o resto em qualquer calçada da cidade, mas não pode despejar pelo ralo. Você não deve usar nunca mais a faca, e deve enterrá-la. Não se preocupe em cobrir seus rastros. Na próxima vez que sair de casa o sangue da maçaneta terá sumido, e o assassinato que cometeu nunca será descoberto. Do momento em que você sair do templo Dela, Evidencias de DNA nunca apontarão para você; a lei se arrastará em torno de você mas sem prejudicá-lo. Nas câmeras, sua face parecerá um borrão.

Você está sob a proteção Dela agora.

Apenas certifique-se de ir a casa certa.

sob a proteção dela

sexta-feira, 25 de novembro de 2016



          Era uma noite muito fria, tinhas as janelas fechadas, decidi abri-las para ver o que estava ao redor.
          chamo-me William e era uma segunda feira.
          - Bolas está muito frio, e fui novamente para cama fechando as janelas de novo para o dia seguinte.
          Ahahahah que belo dia hoje, neste dia é que vou pregar aquela partida na escola no dia de Halloween buahahah.
          Durante o dia andem a ouvir rumores de um corredor da escola que era chamado "O sino da meia noite".
          Não me inter sou muito porque não acreditava coisas do tipo nem queria saber, falei com o amigo meu chamado Félix, ele era muito gabarolas mas uma pessoa muito bondosa, falei acerca da partida de Halloween do que tínhamos planeado para aquela noite, encharcando a escola cheio de rolo de papel higiénico, ele riu-se muito e acenou-me que sim.
          Chegou a hora era 23 horas da noite e então sai de casa juntamente com o Félix.
          Passamos por cima do portão da escola e tínhamos muitos volumes de papel o começámos.
          Félix falou. - Não estou me a sentir bem do estômago.
          William - Vai dar à volta da escola pelas traseiras por lá deve haver uma casa de banho.
          Ok respondeu Félix, eu fui com ele e peguei num pé de cabra para abrir a porta, ao abrir senti um arrepio na espinha numa brisa dar forte que me passou pela pele como se a escola estivesse viva, e ai tocou um sino. Dim dom!!, tivemos um susto e nos escondemos nas traseiras, esperamos um pouco para ver se algum guarda vinha e esperámos.
          Não tinha vindo ninguém e eu disse... Félix acho que a escola tem o sino estragado e não vem ninguém. Sussurrando para Félix, saímos e esperei cá fora por Félix, passou um bom bocado de tempo e ele nunca mais vinha comecei a ficar preocupado e entrei.
          Bum! Quando entrei a porta fechou-se atrás de mi com a corrente de ar dando um salto, tentei abri-la mas não consegui porque o trinco tinha-se partido, fiquei com muito medo, liguei a lanterna e procurem por Félix sala a sala.
          As portas chiavam muito com aquele silencio todo até que comecei a ouvir a alguém a respirar do meu ouvido, virem me e não tinha nada, continuem em frente.
          - Bolas quantos pisos tem esta escola? já estava muito cansado de tanto andar, só faltava um corredor o de que tanto falavam acerca dele, cheguei ao corredor quando reparei ouvi um o sussurro outra-vez comecei a correr parecia que o corredor nunca mais acabava, cheguei ao uma parede e comecei a subir mais um piso.
          Fechei me numa sala e o que vi... - Meu Deus nem queria acreditar vim o Félix pendurado trespassado com um ferro muito grande, comecei a ouvir passos e me deu aquele arrepiar de novo então estou aqui escrevendo esta mensagem para vocês e que já não estarei cá... Nããããããããoooo!!
          

O sino da meia noite

quinta-feira, 24 de novembro de 2016




“O Inferno de Tomino” - "Tomino's Hell" é um poema escrito por Yoomta Inuhiko e se
encontra em um livro chamado “The Heart Is Like A Rolling Stone” Rolling Stone”.

Ele conta a história de Tomino, que morre e vai diretamente para o inferno.


Porém, ele é um poema maldito que mata, sem dó nem piedade, todas as pessoas que o leem em voz alta. Se você tiver muita sorte, você pode não morrer, mas, com certeza, muitas coisas ruins vão acontecer na sua vida.


Um radialista que leu o poema em seu programa de rádio e no meio da narração ele começou a se sentir mal, não conseguia respirar,parou de ler o poema e foi ficando cada vez mais sem ar, caiu e sofreu um corte com a queda, foi levado ao hospital onde precisou receber 7 pontos, porém o locutor se nega a acreditar que tenha sido consequência de ter lido o poema em voz alta
Leia o Poema a seguir - Não leia em voz alta

Tomino's Hell
A velha irmã vomita sangue, a jovem irmã cospe fogo.Doce Tomino cospe joias preciosas.Tomino morreu sozinha e caiu no inferno.Inferno, escuridão, sem flores.É a irmã mais velha de Tomino que a açoita?O número de vergões vermelhos é preocupante.Açoitando e batendo e espancando,O caminho para o inferno eterno é a única via.Implore por orientação na escuridão do inferno.Da ovelha dourada, ao rouxinol.Quanto falta na bolsa de couro,Prepare para a jornada infindável no inferno.Primavera vem e nos bosques e vales,Sete voltas no vale sombrio do inferno.Há um rouxinol na gaiola, no carrinho uma ovelha,Nos olhos da doce Tomino há lagrimas.Choro, rouxinol, para os bosques e a chuvaExpressando seu amor por sua irmã.O eco do seu choro uiva pelo inferno,E uma flor vermelho-sangue desabrocha.Pelas sete montanhas e vales do inferno,Doce Tomino viaja sozinha.Para receber você no inferno,As estacas brilhantes da montanha espinhadaFresco espeto perfura na carne,Como um sinal para a doce Tomino.

o inferno de tomino




Aka Manto é uma lenda Urbana Japonesa sobre um espírito que assombra banheiros públicos e escolares.

Se você for ao banheiro deve sempre verificar se tem papel. Se não tiver papel ele pode aparecer. Ele vai te perguntar se você quer papel vermelho ou azul.
Se você responder papel vermelho, você será cortado em pedaços até suas roupas ficarem manchadas de vermelho. Se você escolher azul você será estrangulado até ficar com o rosto azul. Qualquer tentativa de se livrar do Aka Manto respondendo outra cor levará você arrastado para o submundo.
A unica resposta correta é falar que você não quer papel, ai ele vai deixar você sozinho. Existe uma versão alternativa para essa lenda.
Nela o espírito pergunta se você quer uma capa, em vez de papel. Se você pedir a capa vermelha a sua pele será arrancada pra vc ficar todo vermelho como se tivesse com uma capa. Se você pedir o azul todo o sangue do seu corpo será drenado para você ficar azul..

A história conta que um homem e uma mulher da polícia foram chamados numa escola depois que um estudante relatou ter ouvido uma voz masculina no banheiro feminino. A policial mulher foi até o banheiro enquanto seu parceiro ficou esperando do lado de fora.
Dentro do banheiro uma voz perguntou "Vamos colocar a capa vermelha?" O policial do lado de fora ouviu a resposta "sim". Logo depois um grito e um baque forte. Ele entrou no banheiro e encontrou a policial decapitada, e seu corpo todo vermelho de sangue como se estivesse com uma capa.

aka manto

terça-feira, 22 de novembro de 2016


Behemoth, em idioma hebraico transcrito como בהמות, Bəhēmôth, Behemot, B'hemot; em Árabe بهيموث (Bahīmūth) ou بهموت (Bahamūt),[1] é o nome de uma criatura descrita na Bíblia, no Livro de Jó, 40:15-24. Sua descrição é tradicionalmente associada à de um monstro gigante, podendo ser retratado como um leão monstruoso, apesar de alguns criacionistas o identificarem como um saurópode ou um touro gigante de três chifres. Em uma outra análise vemos este como um animal pré-histórico muito conhecido como braquiossauro. Os relatos no livro
de Jó, capítulo 40 (Bíblia), apontam para este grande herbívoro. Esta criatura tem um corpo couraçado e é típica dos desertos (embora "Behemot" também seja como os hebreus chamavam os hipopótamos).

Contemplas agora o beemote, que eu fiz contigo, que come a erva como o boi. Eis que a sua força está nos seus lombos, e o seu poder nos músculos do seu ventre. Quando quer, move a sua cauda como cedro; os nervos das suas coxas estão entretecidos. Os seus ossos são como tubos de bronze; a sua ossada é como barras de ferro. Ele é obra-prima dos caminhos de Deus; o que o fez o proveu da sua espada.

Em verdade os montes lhe produzem pastos, onde todos os animais do campo folgam. Deita-se debaixo das árvores sombrias, no esconderijo das canas e da lama. As árvores sombrias o cobrem, com sua sombra; os salgueiros do ribeiro o cercam.

Eis que um rio transborda, e ele não se apressa, confiando ainda que o Jordão se levante até à sua boca. Podê-lo-iam porventura caçar à vista de seus olhos, ou com laços lhe furar o nariz?

Segundo a tradição judaica ortodoxa, sua missão é esperar pelo dia em que Deus lhe pedirá para matar o Leviatã, uma criatura marinha tida por alguns como parecida com uma baleia. As duas criaturas morrerão no combate, mas o Behemoth será glorificado por cumprir a sua missão.

O nome é o plural do hebraico בהמה, bəhēmāh, "animal", com sentido enfático ("animal grande", "animal por excelência"). Na tradição judaica ortodoxa, Beemote é o monstro da terra por excelência, em oposição a Leviatã, o monstro do mar, e Ziz, o monstro do ar. Diz uma lenda judaica que Beemote e Leviatã se enfrentarão no final dos tempos, matando-se um ao outro; então, sua carne será servida em banquete aos humanos que sobreviverem.

Behemoth





Mandy é uma boneca de porcelana feita na Inglaterra ou na Alemanha entre 1910 e 1920 que foi doada para o Museu de Quesnel, na Columbia, em 1991.

Os funcionários do Museu disseram escutar um barulho de uma criança chorando de dentro do porão do Museu, porém a única coisa que conseguiam encontrar era a
boneca e alguns itens velhos no local.

Assustados e até mesmo intrigados com a situação eles resolveram mudar a boneca de local. Embora o choro  tivesse parado, acontecimentos estranhos continuaram a acontecer quando Mandy recebeu uma nova residência no Museu.

Entre essas coisas estranhas, uma bem engraçada acontecia com os funcionários, seu almoço em diversas vezes simplesmente desaparecia apenas para reaparecer em outro lugar que não era o original deixado por eles.

Passos podiam ser ouvidos quando não havia ninguém por perto, e o material de escritório, tal como os lápis e os livros, sempre desapareciam e reapareciam em outros lugares. O museu levou algum tempo para decidir onde colocar Mandy. Alguns visitantes do museu já alegaram ter visto seus olhos piscarem o que de certa forma atrai mais curiosos ao local.

A boneca Mandy

Há uma lenda no meu bairro sobre uma casa abandonada. Todos os chamam de a casa das crianças, dizem que o homem que viveu naquela casa matou e torturou várias crianças nela. Mas um dia, os espíritos das crianças que ele matou se revoltaram contra ele e o mataram, mas elas tiveram que pagar pela vingança e acabaram ficando presas naquela casa pela eternidade. Dizem também que dá para ouvir suas risadas à noite.

Hoje na escola várias crianças falavam sobre a casa, dizendo o quão horrível ela era, falavam sobre os gritos que ouviam à noite e das crianças que
viam pela janela. Eu não acreditava no que diziam afinal fantasmas não existem. Falei para eles que eles estavam exagerando, afinal era apenas uma casa velha, disse também que essa história deve ter sido inventada por alguém só para assustar as pessoas.

Eles começaram a olhar com desprezo para mim, repetindo a mesma coisa, que eles ouviram risadas e viram coisas, a mesma baboseira. Para fazê-los encerrarem de vez com o assunto, eu disse que ia passar uma noite na casa e iria gravar tudo na minha câmera.

Ao chegar em casa, disse a minha mãe que iria passa a noite na casa de um amigo. Ela deixou. Então fui para o meu quarto, arrumei minha mochila e coloquei minha câmera dentro, depois fui para a tal “casa das crianças”. Quando estava perto dela, senti um frio se espalhar pelo meu corpo e um medo tão profundo quanto um poço. Olhei para a casa e o medo aumentou. Balancei a cabeça para afastar esse sentimento e entrei na casa.

A casa estava muito escura, tive que ligar a câmera e colocá-la no modo noturno para ver como ela era. Era bastante vazia, possuía apenas uma geladeira na cozinha e uma TV em cima de uma cadeira, e o banheiro só tinha uma privada e nada mais, nem mesmo uma banheira ou chuveiro, nem uma pia. No lugar deles só tinha um buraco que mostrava a cozinha. Quando terminei subir as escadas para dar uma olhada no andar de cima.

O andar de cima possuía menos móveis do que o de baixo, composto apenas por uma cama, que ficava no quarto. Os outros cômodos tinha a porta quebrada, por isso não se via nada.

Depois de dar uma olhada na casa, fui para o quarto, peguei o edredom da minha mochila e o coloquei sobre a cama (afinal a cama parecia muito suja e tinha muitos buracos) e fui dormir. Estava me sentindo muito cansado.

Acordei no meio da noite com sons de passos vindos do corredor, tentei me acalmar dizendo que eram apenas ratos, afinal a casa era velha. Mas no fundo eu sabia que eram de pessoas. Peguei minha câmera e fui de fininho para o corredor dar uma olhada. Mas no meio do caminho, os passos ficaram mais rápidos e tinham mudado a direção, como se alguém estivesse fugindo.

Ao chegar à porta do quarto, olhei para onde os passos vinham, mas nada tinha lá. Olhei na direção oposta e vi um menino mais novo do que eu. Iria perguntar o que ele fazia ali, mas antes que eu pudesse dizer algo ele falou:

- Estou procurando alguém para brincar comigo. – após dizer isso, ele se vira e diz:- Você quer brincar comigo?

Então eu vejo seus olhos negros e um sorriso estampado em sua boca. Corro, corro mais rápido quando ele ri. Olhei para trás, mas o menino havia sumido, porém sua risada continuava a ecoar por toda a casa. Acabei caindo da escada, perdendo as esperanças a cada degrau, no final o que sobrou foi o medo e o desespero. No chão eu fiquei ouvindo sua risada e chorando por medo e dor.

A visão da porta aberta me trouxe forças para levantar e correr. Enquanto corria, crianças da mesma idade daquele menino apareciam e murmuravam palavras que eu não conhecia. Quando estava perto da porta, pude ver a rua, e minha casa. Eu comecei a pensar na minha família, meus amigos, prometendo a mim mesmo que não chegaria perto daquela casa novamente. Então tudo desaparece e uma dor imensa interrompe meus pensamentos. A porta havia sido fechada na minha cara.

No chão mais uma vez eu fico chorando e ouvindo a risada. Mãos surgem da escuridão e me puxam, mas nada eu faço, pois sei que eles irão fazer a dor parar. No dia seguinte, minha família me procurou, mas nada acharam além da minha câmera (que estava quebrada) e minha mochila.

Que pena, se eles quisessem mesmo me encontrar esperariam pela noite, afinal a noite é das crianças.

A casa das crianças